O
balanço de massas ou nutrientes trata-se de um novo método matemático para
recomendações de corretivos e fertilizantes, no intuito de substituir o
empirismo das tabelas para recomendação de adubação, por sistemas de cálculos
que possuam maior base científica, permitindo uma aplicação mais abrangente,
sem restrições regionalistas artificiais, e que sejam abertos ao crescente
aperfeiçoamento, devido à lógica de sua constituição.
Em
cultivos agrícolas a adubação pelo modelo balanço de massas (MBM) vem ganhando
muitos adeptos, porém é na adubação de pastagens que a metodologia tem grande
impacto. Visto que, os sistemas de pastejo devido às interações clima-solo-planta-animal,
passam a serem dependentes de um modelo dinâmico que prevê as complexidades do
ambiente avaliado. Fatores estes não considerados nos boletins regionais de
fertilidade, onde basicamente se analisa as faixas de nutrientes no solo e em
partes a produção da cultura.
Figura
1: Pastagem Fertilizada.
A recomendação
de adubação pelo MBM leva em conta a quantidade de minerais retirados do solo
durante o desenvolvimento das plantas, sendo que parte destes serão exportados
nos produtos colhidos da área, seja carne ou leite, e a outra parte retorna
através das reciclagens de fezes, urina e até mesmo componentes vegetais que
não foram colhidos pelos animais, voltando desta forma a compor os nutrientes
do solo por meio da decomposição microbiana.
O
MBM também considera outras entradas de nutrientes no solo, como os obtidos da
atmosfera que são o nitrogênio e enxofre, além dos elementos originalmente
disponíveis no solo e mineralizados a depender da atividade dos
microorganismos, onde por sua vez dependem das condições climáticas da região,
principalmente precipitação pluviométrica e temperatura. O modelo ainda presume
as perdas de nutrientes por volatilização, lixiviação e adsorção na argila.
Entradas de nutrientes
A
deposição atmosférica de nutrientes via precipitações pluviais varia de 3 a 5
kg/ha/ano de nitrogênio (N) em áreas agrícolas, que são valores normais em
ambientes não poluídos (CANTARELLA, 2007), já a fixação biológica associada as
gramíneas varia de 20 a 45 kg/ha/ano de N (Reis Júnior et al., 2002).
Considerando a disponibilização de nutrientes via matéria orgânica do solo
(MOS), para cada 10 g/kg de MOS, haverá mineralização anual de 30 kg de N, 1 a
4 kg de P e também de 1 a 4 kg de S em cada hectare cultivada (GUILHERME et
al., 1995; SOUSA et al., 2004).
A
reciclagem de nutrientes via fezes e urina também são importantes para o
equilíbrio nutricional do solo, dado que reduz a necessidade de adubação quanto
maior for quantia de dejetos que retornam para o pasto. Segundo Aguiar (2004),
a distribuição das dejeções dos animais na pastagem depende de fatores como a
taxa de lotação animal, método de pastejo, área de descanso, quantidade e
frequência de excreção, sendo que 25% destas dejeções podem ter efeitos inexpressivos
quanto à reciclagem de nutrientes em sistemas intensivos, devido à deposição
dessas em currais, sob as sombras, corredores e áreas de bebedouros. O restante
das dejeções cobre uma área bastante variável da pastagem, de 1 a 46%.
Estas
vias de entradas dos minerais, juntamente com os elementos presentes na
composição original do solo, são as únicas fontes de nutrientes que permitem aos
pastos extensivos, sem adubação, produzirem forragem para pequenas lotações por
áreas. Entretanto, com o passar dos anos o solo se torna exaurido, haja visto
que existem perdas, levando com isto a degradação das pastagens, efeito este
facilmente contornado com baixas doses anuais de adubação para a manutenção da
forragem.
Potencial de Produção sem Adubação
No
MBM a necessidade de fertilização ocorrerá caso as entradas de nutrientes no
solo, atmosfera e reciclagens, não atenda a extração da pastagem para a
produção desejada. Desta forma, em um pasto onde o objetivo não exige que a
forragem tenha alta produção e consequentemente não venha a extrair grandes
quantias de nutrientes, a reposição pode ser pontual de alguns minerais (FIGURA
2).
Figura
2: Potencial de produção sem adubação e nutrientes limitantes.
A Figura
2 apresenta o potencial de produção de uma pastagem sem adubação, em que a
análise de solo apresentou as seguintes concentrações: 2% de matéria orgânica,
3, 5 e 80 mg/dm³ respectivamente de fósforo, enxofre e potássio. Observe que a
lotação por hectare ficará limitada em 0,6 UA (unidades animal ou 450 kg de
peso vivo) caso não seja feita a fertilização nitrogenada. Atendida as
exigências de nitrogênio (N) o próximo nutriente limitante passa a ser o
enxofre, seguido do fósforo. Sendo que para uma lotação de até 1,6 UA/ha não há
necessidade de adubação potássica.
A
interpretação da análise de solo e avaliação dos objetivos da propriedade
permite ao técnico planejar de forma eficiente e econômica a melhor estratégia
para a nutrição da pastagem. Entretanto, a adubação apesar de ser tida como uma
tecnologia de alto custo por parte dos produtores possibilita flexibilidades de
manejo e utilização de forma o proporcionar o melhor resultado na pecuária, esta
que atualmente tem se tornado uma atividade altamente competitiva.
Efeito Residual dos Nutrientes
Modelos
dinâmicos como MBM conseguem ainda simular o efeito residual deixado pela
adubação ano após ano. Permitindo, desta forma, reduzir a necessidade de
fertilizantes para obter a mesma produção nos anos subsequentes.
A
dose de adubação nitrogenada pode ser reduzida numa taxa de 10 a 15% ao ano até
o sétimo ano quando ocorre o equilíbrio de reciclagem do N. Desta forma após 7
anos a fertilização com N será de 30 a 40% da dose inicial visando uma mesma
produção de matéria seca (PRIMAVESI et al., 2008).
De
modo semelhante ao nitrogênio a adubação fosfatada também é amortizada ao longo
dos anos (FIGURA 3), visto que após um ano de adubação o solo ainda retém próximo
de 60% do fósforo distribuído no ano anterior. E até o quinto ano após a
fosfatagem 5% do P aplicado permanece no solo (SOUSA et al., 2004).
Figura
3: Efeito residual da fertilização fosfatada ao longo dos anos.
A
adubação de pastagem, contudo, é uma tecnologia de ampla versatilidade e quando
bem planejada permite bons retornos sem haver a necessidade de desembolsos
exagerados e ainda garante um efeito residual a ser desfrutados a partir do
momento que se faz o uso da técnica.
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