Um
número apreciável de estudos e pesquisas estão sendo disponibilizados para o
mercado da agricultura e pecuária, dentre esses novos assuntos, tem sido
destaque o uso dos adubos orgânicos. O processo de adubação orgânica é definido
pela literatura geral, como sendo: o uso de rejeitos orgânicos para promover a
melhoria das qualidades químicas, físicas e biológicas do solo proporcionando
maior desenvolvimento das plantas destacando neste texto como exemplo, a
pastagem.
Elencando
alguns pontos positivos sobre o assunto, a adubação à base dos orgânicos
desenvolve o equilíbrio com o meio ambiente trabalhando com uma produção no
pilar da sustentabilidade, outro fator de destaque é seu custo mais aprazível
para o bolso dos empreendedores do ramo.
Considerando
o investimento elevado dos fertilizantes químicos os produtores têm buscado
alternativas nos métodos de fertilização do solo. Assim, cresce notoriamente o
número de produtores que praticam a técnica simples de reutilização de
compostos orgânicos como fonte de nutrientes básicos do solo. Remetendo novamente
está técnica aos benefícios ambientais uma vez que, esse processo a princípio
simples, evita que os resíduos anteriormente destinados de forma ambientalmente
incorreta sejam a parti dessa técnica incorporados ao sistema produtivo sem
danos ao solo ou recursos hídricos, promovendo uma ciclagem desses nutrientes
na cadeia de produção.
O
processo da adubação orgânica permite que as moléculas orgânicas sejam
decompostas por diversas classes de microrganismos presentes no solo, que
utilizam das substâncias presentes nesses compostos para se multiplicarem dando
mais vida ao solo. Um solo com maior atividade biológica favorece a produção de
fito-hormônios, importantes para a defesa das plantas contra as pragas e
patógenos sendo aliados importantes no desenvolvimento da pastagem.
Os
nutrientes disponibilizados no processo de decomposição são liberados
gradativamente pelos microrganismos no solo, sendo logo absorvidos pelas
plantas conforme sua demanda evitando perdas de nutrientes. Deve ser ressaltado
que o húmus, obtido no processo de degradação dos compostos orgânicos, é uma
das substâncias mais estáveis da matéria orgânica. Em contato com o solo, os
ácidos húmicos e fúlvicos aumentam o número de microporos resultando em maior
aeração e armazenamento de água neste solo.
Solos com essas características são menos propensos a compactação e processos erosivos, pois as substancias húmicas são ricas em cargas elétricas, elevando a capacidade dessa área de pastagem em reter nutrientes tornando esse solo com maior capacidade de troca catiônica - CTC e complexar metais pesados, como o alumínio que é toxico as raízes.
Principais fontes de adubos orgânicos
Os
adubos orgânicos são obtidos por meio de matéria de origem animal ou vegetal
como: cama de frango e/ou galinha (Figura 1), dejetos de suínos, água de limpeza da ordenha, esterco de bovinos
oriundos de curais, confinamentos e áreas de descanso, dentre outras. São
também consideradas fontes produtoras de resíduos a agroindústria como exemplo,
a água residuária de frigoríficos e/ou graxarias, vinhaça, torta de filtro,
cinzas, casca de café, serragem e restos de vegetais diversos.
Figura
1: Pasto após distribuição de cama de frango.
Tanto
na matéria de origem animal como na vegetal esses produtos são considerados
subprodutos/rejeitos, considerando o uso crescente desses rejeitos na adubação
orgânica, permite que sejam reaproveitados no sistema produtivo, tornando seu custo
de aquisição menor quando comparado aos fertilizantes convencionais.
O
processo de reutilização desses rejeitos pode ser in natura na pastagem como o esterco ou pode ser beneficiado no
processo da compostagem. Quando utilizamos o processo da compostagem é possível
reduzir ou até eliminar possíveis contaminações por patógenos de plantas ou
humanos essa metodologia possui uma fase termofílica em que a temperatura
ultrapassa 65 ºC eliminando os patógenos, obtendo um produto estável ao ser
destinado a pastagem.
Entretanto,
os resíduos da agroindústria na maioria das vezes devem passar pelo processo de
compostagem, esses subprodutos apresentam quando na forma in natura uma alta concentração de carbono e baixo teor de nitrogênio
que dificulta a liberação dos nutrientes no solo, quando são compostados essa
relação diminui e temos como efeito uma liberação mais rápida dos nutrientes
para as forrageiras.
Para
o uso da adubação orgânica com maior sucesso deve ser avaliado a fonte desses
nutrientes, sabendo que o teor de componentes dos estercos é variável devido à
fatores como o número de animais no lote, tempo de uso ou acúmulo do esterco na
área, higienização do ambiente, alimentação dos animais e presença de materiais
inertes.
Portanto,
é necessário fazer análise química dos composto orgânicos rotineiramente. Essa
avaliação dos rejeitos vai garantir segurança para dosar a quantidade de adubo
orgânico que será exigida em um solo, permitindo saber sua composição química e
assim correlacionar com a demanda da pastagem
que pretende aplicar essa adubação. Na Tabela 1, são apresentados valores de
referência da composição dos dejetos de animais frequentemente utilizados como
fonte de fertilizantes.
Recomendações
Estudo de caso:
Miguel
é um pecuarista que pretende alcançar a taxa de lotação de 5 UA/ha (5 unidades
de animais de 450 kg, em um hectare) durante todo período chuvoso. Supondo que
sua propriedade fique localizada no cerrado brasileiro, cujo o período chuvoso
ocorre durante seis meses do ano em média e que os teores de fósforo no solo
são extremamente baixos. Qual a quantidade de forragem à ser produzida? Quanto
de cama de frango ele irá precisar para adubar o solo e obter tal lotação?
Fazendo as contas:
1. Bovinos
consomem em média 2,7% do seu peso vivo diariamente, ou seja, cada UA consome
12,2 kg (450 x 2,7%) de pasto por dia. Logo, 5 UA consumirá 61 kg/dia ou 11
toneladas de pasto (61 kg x 180 dias ÷ 1000 kg/tonelada) em 6 meses na área de
1 ha.
Quanto de nutrientes precisa para produzir 11 toneladas de pastagem?
2. Para
cada 1 tonelada produzida são demandados:
2.1.
20 kg de Nitrogênio - N,
2.2.
2,8 kg de Fósforo – P,
2.3.
18 kg de Potássio - K (Tabela 1).
Logo:
a extração da pastagem durante a estação chuvosa será:
2.4.
220 kg/ha de N (11 x 20),
2.5.
30,8 kg/ha de P (11 x 2,8) e
2.6.
198 kg/ha de K (11 x 18).
Quanto de cama de frango (CF) demanda para fornecer os nutrientes para a pastagem?
3. Cada
tonelada de cama de frango fornece em média
3.1.
28 kg de N,
3.2.
30 kg de P e
3.3.
18 kg de K (Tabela 1).
Logo:
3.4.
Para fornecer 220 kg de N precisa de 7,9
ton./ha (220 ÷ 28) de CF.
3.5.
Para fornecer 30,8 kg de P precisa de 1,0
ton./ha (30,8 ÷ 30) de CF.
3.6.
Para fornecer 198 kg de K precisa de 11
ton./ha (198 ÷ 18) de CF.
Considerações:
Solos
com alta concentração P, a dose máxima de cama de frango deve ser limitada pela
quantidade de P fornecido, seguindo o estudo de caso demonstrado a média é de
1,0 tonelada/ha, doses acima desta média sugerida acarreta uma grande perda
desse nutriente no sistema de cultivo.
Processos
que não observam está avaliação podem permitir o carreamento deste elemento
para cursos hídricos, resultando em eutrofização do meio, consequentemente a
morte de peixes e demais seres vivos presentes. Para finalizar devemos
ressaltar que mesmo se tratando de uma adubação orgânica, que é um processo
mais próximo do natural reaproveitando os dejetos, devemos seguir critérios
técnicos para que a boa intenção não seja um problema ao equilíbrio do meio.
Quando
trabalhamos com situações onde o elemento fósforo é baixo, como é o caso da
fazenda do Sr. Miguel por se localiza em solo de cerrado, neste caso a dose de
cama de frango deve ser limitada pelo fornecimento de N. Nesta situação observa-se que o elemento N
passou a ser considerado o mais contaminante para o meio por apresentar altas
taxas de perda por volatilização e lixiviação sendo o agente causador de contaminação
das águas subterrâneas.
Seguindo
as informações com os dados do estudo de caso, a dose de cama de frango para
atender a demanda de N é 7,9 ton./ha. Essa dose supre todo N, considerando o
nutriente P a necessidade é de 31Kg/ha nesse, levando em consideração as
condições do solo da propriedade do Sr. Miguel não há impactos causados pelo
excesso de 206 Kg/ha P (237 kg/ha fornecidos em 7,9 tonelada de CF, menos 31
kg/ha demandado pela pastagem). Contudo o fornecimento do elemento K ainda fica
abaixo do desejado, podendo para este o produtor suprir a pastagem com adubação
a base de cloreto de potássio 60%. Logo a
adubação com 7,9/t de CF atende à demanda de 142 Kg de K (7,9 x 18) sendo o
desejado de 198 Kg/ha, devendo a adubação complementar fornece 56 Kg de K.
Fazendo as contas do potássio (K):
4. Para
fornecer 56 kg de K precisa de 93 kg/ha (56 ÷ 60%) de cloreto de potássio.
Em
síntese para o estudo de caso na propriedade do Sr. Miguel ao longo do período
chuvoso deveram ser distribuídas 7,9 toneladas de cama de frango e 93 kg de
cloreto de potássio em cada hectare que pretende manter 5 animais com o peso
médio de 15@.
Época de aplicação
Para
que haja uma degradação elevada dos nutrientes no solo os microrganismos
dependem de uma quantidade alta de umidade neste ambiente. Nessa condição o
período chuvoso torna a época ideal para realizar a adubação orgânica com
resultado positivo. Quando a distribuição dos fertilizantes orgânicos é realizada
em períodos que com baixa disponibilidade de água no solo parte considerável do
nitrogênio é perdida por volatilização, umas vez que sob condições de solo seco
as bactérias não conseguem utilizar esse nutriente na mesma velocidade que em
condições de solo úmido.
Avaliando
o processo de armazenamento e transporte dos estercos a época ideal para
realizar estas operações é durante a estação seca do ano, tornando o processo
menos oneroso. Uma dica é fazer amontoados de estercos na área onde será
aplicado ou em um pátio que não prejudique as atividades rotineiras da
propriedade nesse processo ocorre uma compostagem dos nutrientes e utilização
se dará com uma matéria mais estabilizada com menor relação de carbono e
nitrogênio.
Os
adubos orgânicos sólidos são distribuídos á lanço na área a ser fertilizada.
Enquanto que os dejetos líquidos como a água oriunda do processo de ordenha ou
da criação de suínos pode ser utilizados chorumeiras ou equipamentos de irrigação adaptados para esse procedimento.
Cuidados
Estamos
avaliando um processo que trabalha como reutilização dos subprodutos,
entretanto esses dejetos devem ser usados com avaliação técnica, doses elevadas
ao longo dos anos podem levar ao acúmulo de metais pesados no solo, o
monitoramento é de suma importância para o sucesso na produção de pastagem, uma
super dosagem na adubação orgânica resulta em grande perda de nutrientes que
são direcionados principalmente aos recursos hídricos.
Contudo
estamos falando dos dejetos subprodutos na cadeia produtiva e não em doses
exatas de nutrientes como em uma formula química balanceada exatamente para um
determinado cultivo, desta forma o sucesso da adubação orgânica será a sua utilização
com apoio na adubação convencional através da compostagem enriquecida com
minerais, resultando na produção do composto organomineral equilibrado em
nutrientes de acordo com a demanda do sistema de produção.
Conclusão
Devemos
considerar que a adubação orgânica advém de um subproduto até pouco tempo
disposto no meio ambiente do forma incorreta e altamente danosa, os estudos nos
mostraram que estes dejetos contém grande parte de nutrientes que podem ser
reaproveitados no processo produtivo, minimizando danos ao meio ambiente e
baixando custos de produção.
O mercado produtivo seleciona diariamente os produtores que continuaram crescendo no mercado e sendo competitivos na atividade. Manter atualizados buscar as tecnologias conhecer e avaliar o investimento deve ser uma pratica constante.
Considerando o uso da adubação orgânica podemos colocar na balança como uma tecnologia positiva para a propriedade se estes dejetos forem de fácil acesso, ou mesmo produzidos na própria fazenda, temos um grande ganho ambiental minimizando os impactos da destinação ambientalmente incorreta retornando esses nutrientes na cadeia produtiva a propriedade, reduz o custo com a aquisição dos fertilizantes químicos crescendo o potencial produtivo e competitivo da propriedade.

