A
composição mineral de espécies forrageiras varia em função do teor destes no
solo. De modo que, quanto maior teor do mineral no solo, maior será a composição
deste nas plantas, visto que a absorção é maior quanto mais nutrientes
estiverem disponíveis na solução do solo (DRUMOND; AGUIAR, 2005).
A
adubação com macronutrientes (NPK) promove o aumento da produção vegetal,
consequentemente tem-se maior extração dos demais minerais no solo. A
disponibilidade de nitrogênio (N) nos solos do Cerrado é geralmente baixa e
esse elemento exerce papel fundamental na modulação de respostas à adubação de
forrageiras, que incluem concentração de minerais na parte área dos vegetais
(PRIMAVESI et al., 2004).
Observa-se
na TABELA 1 uma compilação de referências sobre o efeito da fertilização
nitrogenada na concentração de nutrientes na planta, cujo os dados apresentados
confrontam a baixa ou não aplicação de N contra quantidades tradicionalmente utilizadas
pelos pecuaristas (200 a 250 kg/ha/ano de N).
Tabela 1:
Efeito da adubação nitrogenada sobre a concentração de nutrientes nas espécies
forrageiras e faixa adequada para desenvolvimento da planta
|
Espécie
|
Dose N (kg/ha/ano)
|
Teor de nutrientes na matéria seca
|
|||||||||
|
N
|
P
|
K
|
Ca
|
Mg
|
S
|
Cu
|
Fe
|
Mn
|
Zn
|
||
|
------------------- g/kg -------------------
|
-------- mg/kg ----------
|
||||||||||
|
Panicum sp¹
|
70
|
13,8
|
3,0
|
24,6
|
5,0
|
2,2
|
1,3
|
8,6
|
23
|
6,9
|
18
|
|
210
|
16,5
|
2,9
|
28,8
|
4,9
|
2,4
|
1,8
|
9,1
|
25
|
8,4
|
20
|
|
|
Brachiaria sp.²
|
0
|
14,0
|
3,2
|
21,0
|
5,1
|
4,1
|
1,4
|
7,0
|
239
|
70
|
29
|
|
200
|
17,0
|
3,3
|
28,0
|
5,3
|
4,0
|
1,4
|
7,0
|
197
|
58
|
32
|
|
|
Cynodon sp.³
|
0
|
16,5
|
3,0
|
16,8
|
3,5
|
1,8
|
3,1
|
6,0
|
275
|
85
|
18
|
|
250
|
18,7
|
3,0
|
20,3
|
3,5
|
2,0
|
3,1
|
7,0
|
224
|
77
|
19
|
|
|
Faixa adequada4
|
15 - 25
|
1,5 - 3,0
|
15 - 30
|
3 - 8
|
1,5 - 4,0
|
1,5 - 3,0
|
4 - 14
|
50 - 250
|
40 - 200
|
20 - 50
|
|
No
trabalho de Freitas et al. (2007), destaca-se os baixos valores de encontrados
de para ferro (Fe) e manganês (Mn). Conforme os pesquisadores, essa baixa
concentrações dos metais em questão no tecido da planta podem ser explicadas
pelo pH final do solo, correspondente a 6,2 em água, no qual os torna de
difícil disponibilidade para a planta e pelo elevado peso molecular destes
fazendo com que sua mobilidade no solo e na planta seja reduzida.
Os
dados elucidados na TABELA 1 denotam que a adubação nitrogenada de modo geral
acelera o metabolismo da planta e a notável absorção N beneficia o restante dos
minerais através do fluxo de massa, desde que a disponibilidade hídrica do solo
não seja limitante (SILVA, 2005). A redução nos teores de alguns minerais pode
ser explicada em parte pelo efeito de diluição, ou seja, quando a aplicação de
N aumenta a produção de MS mais rápido que a absorção dos nutrientes em
questão, de tal forma que a concentração destes nas plantas se dilui PRIMAVESI
et al., 2006).
Níveis de nitrogênio influenciam na relação do
potássio (K) com Ca e Mg. Os cátions são transportados em concentrações
equivalentes à dos ânions, tais como o nitrato, portanto o transporte de
ânion-cátion para as folhas não é específico para Ca, Mg ou K. Quando a redução
do nitrato ocorre nas raízes, resulta na translocação de compostos orgânicos de
N, do solo para a planta, os quais mostram alguma seletividade para K mais do
que para Ca ou Mg. Deste modo, maior absorção de K conduz à redução do teor de
Mg e/ou Ca. O aumento da absorção de K e também de Ca e Mg sugere que o
N-nitrato estava predominantemente envolvido (PIRMAVESI et al., 2004).
O cálcio (Ca) tem um papel importante no
metabolismo do N, na sua ausência algumas espécies são incapazes de absorver ou
acumular nitratos. Enquanto que, o magnésio (Mg) influi na fotossíntese e na
assimilação de hidrocarbonatos, sendo mais influenciados pelo pH do solo do que
pela adubação nitrogenada (FREITAS et
al., 2007).
O N
se interage com uma grande diversidade de nutrientes, sendo que estimula a
absorção e translocação do fósforo (P). O maior fluxo de N do solo para a
planta pode afetar o balanço hormonal em que o zinco (Zn) está envolvido,
demandando maior adsorção deste nutriente. De modo semelhante, o aumento a
extração de cobre (Cu) é devido à sua grande participação no metabolismo do N
(MALAVOLTA, 1980).
O
acréscimo de nutrientes específicos pode ser alcançado nas plantas
privilegiando fertilização com fontes dos minerais que se pretende aumentar
(RAIJ, 1991). Vale ressaltar que nos experimentos em analise (TAB. 1) todos os
tratamentos, inclusive as testemunhas, receberam correções de calcário e
adubação basal de P, K, S e micronutrientes (FTE BR12), portanto, a única
variável que implicou em maiores concentrações dos minerais nas plantas foi a
maior absorção de N. Desta forma, quando se comparou a presença contra a
ausência da fertilização, no caso da adubação orgânica, os resultados foram
mais evidentes, devido à testemunha não receber nenhum tipo de correção da
fertilidade do solo.
Substancial
aumento de minerais foram observados por Serafim (2010), quando se utilizou
água residuária de suinocultura (ARS) no terceiro ano seguido em pastagem de
capim-marandu, além de acrescentar em produção de MS, induziu o acúmulo de
determinados minerais na parte aérea (TABELA 2). Segundo a autora cada 100
m³/ha/ano de ARS correspondia à aplicação de 220,61; 153,47; 20,51; 0,27 e 0,02
kg/ha de N, P, K, Ca e Mg, respectivamente.
Tabela 2: Efeito
da adubação com água residuária de suinocultura (ARS) sobre o teor de
macronutrientes e produção de Brachiaria
brizantha cv. Marandu
|
Volume ARS (m³/ha/ano)
|
Teor de nutrientes (g/kg MS)
|
Produção MS (kg/ha/ano)
|
|||
|
K
|
P
|
Ca
|
Mg
|
||
|
0
|
5,7
|
2,5
|
5,3
|
3,3
|
10,784
|
|
100
|
6,8
|
3,3
|
6,6
|
4,0
|
15,072
|
|
200
|
6,4
|
3,8
|
7,8
|
4,2
|
17,240
|
|
300
|
7,0
|
3,5
|
8,2
|
4,1
|
19,472
|
|
600
|
8,4
|
3,9
|
9,4
|
4,1
|
22,776
|
Segundo
o NRC (1996), as exigências de K, P, Ca e Mg, de bovinos de corte ou leite em
picos de produção são 6,0 g/kg, 3,9 g/kg, 6,5 g/kg e 1,0 g/kg, respectivamente.
De acordo com os dados apresentados por Serafim (2010), a aplicação de doses
acima de 100 m³/ha/ano de ARS atende à demanda de macronutrientes dos bovinos, reduzindo
assim o custo de suplementação com estes nutrientes, lembrado que o maior custo
da suplementação mineral advém do fósforo e do cálcio.
Um
dos benefícios de resíduos agropecuários como fertilizantes orgânicos é o
fornecimento de micronutrientes, além dos macronutrientes, apesar da grande
variação de sua composição em função do manejo de criação dos animais,
principalmente com respeito à limpeza das instalações (SERAFIM, 2010; SILVA,
2005).
A
extração de nutrientes do solo pelas forrageiras tende a se elevar com o aporte
de N ao proporcionar altos rendimentos de massa exigindo maiores doses de
adubos, tanto macro como micronutrientes para reposição no tecido planta. No
período das secas a redução da absorção pelo fluxo de massa, reduz consequente
a concentração de nutrientes na pastagem (PRIMAVESI et al., 2004). Em vista
disso, mesmo com a adubação da pastagem, o período das secas exige atenção
especial na suplementação mineral do rebanho.
A
elevação dos teores de minerais nas plantas forrageiras só deve ser feita com o
objetivo de maximizar a produção da pastagem e não para atender às exigências
dos animais. Visto que, pode provocar graves desbalanceamentos nutricionais,
quando comparado com o fornecimento dos minerais diretamente no cocho. Embora o
uso da adubação possa trazer redução considerável na quantidade de suplementos
minerais fornecida para os bovinos.
Este
texto foi extraído de:
RABELO,
D. M. L. Efeito da adubação na qualidade
da pastagem e no desempenho de bovinos. Monografia (Pós-graduação em
Nutrição e Alimentação de Ruminantes) – Faculdades Associadas de Uberaba, FAZU,
Uberaba, 15 f. 2016.
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