A pecuária
de corte representa aproximadamente 80% do rebanho brasileiro. O baixo custo de
produção dos animais criados a pasto garante competitividade ao Brasil, fazendo
com que este seja um dos grandes players
no comercio mundial de carnes, se destacando como o maior exportador de carne
bovina. A intensificação das pastagens nos últimos anos tem permitido a este
país crescer sua participação no mercado de carnes especiais, mudando sua
imagem de produtor de carne commodity
(ANUALPEC, 2013).
Ao examinar
o pastejo de gado, originário de raças europeias, em consórcio de forragens
temperadas, aveia e azevém, durante o inverno Lupatini et al (2013),
presenciaram progressão no ganho de peso vivo por área (GPV), contabilizando
335; 641 e 865 kg/ha, com aplicação de 0; 150 e 300 kg/ha de N, respectivamente.
Os pesquisadores mencionaram que o desfecho foi proporcionado pela melhora no
ganho médio diário (GDM) de 0,925; 0,969 e 1,045 kg/animal e na taxa de lotação
(TL) 1,49; 2,69 e 3,30 unidade animal (UA) por hectare, da menor para maior
dose de fertilização respectivamente.
A FIGURA
1 expressa as curvas do GMD e TL, com os diferentes níveis de adubação nitrogenada
das pastagens tropicais e animais de origem zebuína, suplementados com sal
mineral. As linhas de tendências, tanto do GMD quanto da TL, foram
positivamente correlacionadas com a adubação.
Figura
1:
Efeito da adubação nitrogenada no ganho médio diário (GMD) e taxa de lotação
(TL).
Fonte: Adaptado de BERNARDINO et al., 2011; MOREIRA et al., 2011; RIBEIRO et al., 2011.
As
pesquisas analisadas em média dobraram o ganho de peso vivo por área, quando
contrastou a dose 0 com 200 kg/ha/ano de N. Enfatizando, que foram testados
apenas taxas de N, onde as parcelas testemunhas também receberam calcário,
magnésio, fósforo e potássio, em vista disso a diferença no desempenho poderia
ser mais expressiva, se comparar a presença versus a ausência de adubo aplicado.
Ganho
de peso acima de 950 g/animal/dia foram percebidos por Ribeiro et al (2011) e Pinheiro
et al. (2014) quando se uso novilhos nelores, suplementados com sal mineral, em
pastagem de capim-tanzânia no período das águas, com dose de N acima de 150
kg/ha/ano. Nestas pesquisas, observou-se que no período seco do ano o
desempenho é pouco associado com a adubação nitrogenada, devido à pouca
atividade metabólica das plantas nesta época, desta forma não se faz distribuição
de fertilizantes no decorrer destas estações (PRIMAVESI et al., 2004).
Gimenes
(2010) ao investigar o efeito da adubação nitrogenada e a altura de manejo do
capim-marandu em lotação contínua, sugeriu que o manejo é mais impactante no
GMD (23,3 x 9,9%) e no ganho por área (31,5 x 23,8%) se comparado com a adubação
(TABELA 1).
Tabela
6:
Efeito da adubação e altura de manejo do pastejo contínuo sobre o ganho médio
diário (GMD), taxa de lotação (TL) e ganho de peso vivo por área (GPV)
|
Tratamentos
|
GMD (kg/dia)
|
TL (UA/ha)
|
GPV (kg/ha)
|
|
Altura de Manejo (cm)
|
|||
|
35
|
0,511
|
2,85
|
674
|
|
25
|
0,630
|
3,13
|
886
|
|
Doses de Adubação Nitrogenada (kg/ha/ano)
|
|||
|
50
|
0,543
|
2,55
|
697
|
|
200
|
0,597
|
3,44
|
863
|
Fonte: Adaptado de GEMENES, 2010.
A
suplementação concentrada está intimamente relacionada com o teor de proteína da
forragem. Embora careça de mais informações os teores de proteína bruta (PB)
acima de 11 a 12% na pastagem atende a exigência de bovinos em crescimento. Quando
a proporção de proteína pela forragem for inferior a esses valores tem-se
observado boa resposta à suplementação protéica. Ao passo que, se o solo estiver
com a fertilidade corrigida, o capim for colhido no ponto ideal e não haver
limitação hídrica, tende-se a elevar o conteúdo de proteína na planta e a
melhor resposta animal será obtida com à adição de energia à dieta, que se
distingue da suplementação protéica pelo menor custo (RESENDE et al., 2011).
Avaliando
o efeito da suplementação energética com consumo ao nível de 0,6% do peso vivo
(PV), em bovinos de origem zebuína cruzados com raças europeias, em pastejo adubado
e rotacionado de capim-marandu (11,9% PB e 66,3% FDN) e Colonião (PB 17,4% e
FDN 66,2%), respectivamente Agostinho Neto (2010) usando milho e Ramalho (2006)
adicionando polpa cítrica com fonte energética, estimularam o GDM em 0,332
kg/animal (0,535 x 0,867) e 0,167 kg/animal (0,860 x 1,027), nos respectivos
estudos. Apurando dados de fazenda comercial Franco (2014), quantificou GMD de
1,2 kg por animal, mantido em pastagem de capim-tifton 85 (21% de PB) irrigado,
recebendo suplemento à base milho, minerais e aditivos na quantia de 0,4 % do
PV.
As
forragens tropicais são vistas pelos empreendedores rurais e técnicos do meio,
como um alimento de baixa qualidade, contudo cada dia mais pesquisas vêm
desmitificando este conceito e mostrando ser possível ganhos satisfatórios com
baixo custo de produção, cabendo aos gestores adotarem técnicas comprovadas de
manejo e condução das pastagens. Desempenhos acima de 0,85 kg/cabeça/dia são
relatados em pastagens adubadas onde a única suplementação é mineral, já quando
se reforça a ração com fonte energética, sendo o pasto intensivo a base da
dieta, foi possível buscar resultados superiores à 1,0 kg/animal/dia (RAMALHO,
2006).
A
adubação da pastagem caracteriza-se como uma tecnologia altamente viável, visto
que além de otimizar a lotação, melhora do desempenho individual dos animais, potencializando
o resultado do ganho de peso por área, sendo este último o verdadeiro indicativo
de produtividade. Ao avaliar os custos com fertilizantes é preciso ter uma
visão holística, dado que se tem benefícios diretos, do aumento produtivo, e
indireto na redução de custo com suplementação tanto mineral, quanto
proteíco-energética.
Este
texto foi extraído de:
RABELO,
D. M. L. Efeito da adubação na qualidade
da pastagem e no desempenho de bovinos. Monografia (Pós-graduação em
Nutrição e Alimentação de Ruminantes) – Faculdades Associadas de Uberaba, FAZU,
Uberaba, 15 f. 2016.
