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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Adubação x Desempenho de bovinos de corte 4/5


A pecuária de corte representa aproximadamente 80% do rebanho brasileiro. O baixo custo de produção dos animais criados a pasto garante competitividade ao Brasil, fazendo com que este seja um dos grandes players no comercio mundial de carnes, se destacando como o maior exportador de carne bovina. A intensificação das pastagens nos últimos anos tem permitido a este país crescer sua participação no mercado de carnes especiais, mudando sua imagem de produtor de carne commodity (ANUALPEC, 2013).
Ao examinar o pastejo de gado, originário de raças europeias, em consórcio de forragens temperadas, aveia e azevém, durante o inverno Lupatini et al (2013), presenciaram progressão no ganho de peso vivo por área (GPV), contabilizando 335; 641 e 865 kg/ha, com aplicação de 0; 150 e 300 kg/ha de N, respectivamente. Os pesquisadores mencionaram que o desfecho foi proporcionado pela melhora no ganho médio diário (GDM) de 0,925; 0,969 e 1,045 kg/animal e na taxa de lotação (TL) 1,49; 2,69 e 3,30 unidade animal (UA) por hectare, da menor para maior dose de fertilização respectivamente.
A FIGURA 1 expressa as curvas do GMD e TL, com os diferentes níveis de adubação nitrogenada das pastagens tropicais e animais de origem zebuína, suplementados com sal mineral. As linhas de tendências, tanto do GMD quanto da TL, foram positivamente correlacionadas com a adubação.


Figura 1: Efeito da adubação nitrogenada no ganho médio diário (GMD) e taxa de lotação (TL).
Fonte: Adaptado de BERNARDINO et al., 2011;  MOREIRA et al., 2011; RIBEIRO et al., 2011.

As pesquisas analisadas em média dobraram o ganho de peso vivo por área, quando contrastou a dose 0 com 200 kg/ha/ano de N. Enfatizando, que foram testados apenas taxas de N, onde as parcelas testemunhas também receberam calcário, magnésio, fósforo e potássio, em vista disso a diferença no desempenho poderia ser mais expressiva, se comparar a presença versus a ausência de adubo aplicado.
Ganho de peso acima de 950 g/animal/dia foram percebidos por Ribeiro et al (2011) e Pinheiro et al. (2014) quando se uso novilhos nelores, suplementados com sal mineral, em pastagem de capim-tanzânia no período das águas, com dose de N acima de 150 kg/ha/ano. Nestas pesquisas, observou-se que no período seco do ano o desempenho é pouco associado com a adubação nitrogenada, devido à pouca atividade metabólica das plantas nesta época, desta forma não se faz distribuição de fertilizantes no decorrer destas estações (PRIMAVESI et al., 2004).
Gimenes (2010) ao investigar o efeito da adubação nitrogenada e a altura de manejo do capim-marandu em lotação contínua, sugeriu que o manejo é mais impactante no GMD (23,3 x 9,9%) e no ganho por área (31,5 x 23,8%) se comparado com a adubação (TABELA 1).

Tabela 6: Efeito da adubação e altura de manejo do pastejo contínuo sobre o ganho médio diário (GMD), taxa de lotação (TL) e ganho de peso vivo por área (GPV)
Tratamentos
GMD (kg/dia)
TL (UA/ha)
GPV (kg/ha)
Altura de Manejo (cm)
35
0,511
2,85
674
25
0,630
3,13
886
Doses de Adubação Nitrogenada (kg/ha/ano)
50
0,543
2,55
697
200
0,597
3,44
863
Fonte: Adaptado de GEMENES, 2010.

A suplementação concentrada está intimamente relacionada com o teor de proteína da forragem. Embora careça de mais informações os teores de proteína bruta (PB) acima de 11 a 12% na pastagem atende a exigência de bovinos em crescimento. Quando a proporção de proteína pela forragem for inferior a esses valores tem-se observado boa resposta à suplementação protéica. Ao passo que, se o solo estiver com a fertilidade corrigida, o capim for colhido no ponto ideal e não haver limitação hídrica, tende-se a elevar o conteúdo de proteína na planta e a melhor resposta animal será obtida com à adição de energia à dieta, que se distingue da suplementação protéica pelo menor custo (RESENDE et al., 2011).
Avaliando o efeito da suplementação energética com consumo ao nível de 0,6% do peso vivo (PV), em bovinos de origem zebuína cruzados com raças europeias, em pastejo adubado e rotacionado de capim-marandu (11,9% PB e 66,3% FDN) e Colonião (PB 17,4% e FDN 66,2%), respectivamente Agostinho Neto (2010) usando milho e Ramalho (2006) adicionando polpa cítrica com fonte energética, estimularam o GDM em 0,332 kg/animal (0,535 x 0,867) e 0,167 kg/animal (0,860 x 1,027), nos respectivos estudos. Apurando dados de fazenda comercial Franco (2014), quantificou GMD de 1,2 kg por animal, mantido em pastagem de capim-tifton 85 (21% de PB) irrigado, recebendo suplemento à base milho, minerais e aditivos na quantia de 0,4 % do PV.
As forragens tropicais são vistas pelos empreendedores rurais e técnicos do meio, como um alimento de baixa qualidade, contudo cada dia mais pesquisas vêm desmitificando este conceito e mostrando ser possível ganhos satisfatórios com baixo custo de produção, cabendo aos gestores adotarem técnicas comprovadas de manejo e condução das pastagens. Desempenhos acima de 0,85 kg/cabeça/dia são relatados em pastagens adubadas onde a única suplementação é mineral, já quando se reforça a ração com fonte energética, sendo o pasto intensivo a base da dieta, foi possível buscar resultados superiores à 1,0 kg/animal/dia (RAMALHO, 2006).
A adubação da pastagem caracteriza-se como uma tecnologia altamente viável, visto que além de otimizar a lotação, melhora do desempenho individual dos animais, potencializando o resultado do ganho de peso por área, sendo este último o verdadeiro indicativo de produtividade. Ao avaliar os custos com fertilizantes é preciso ter uma visão holística, dado que se tem benefícios diretos, do aumento produtivo, e indireto na redução de custo com suplementação tanto mineral, quanto proteíco-energética.

Este texto foi extraído de:
RABELO, D. M. L. Efeito da adubação na qualidade da pastagem e no desempenho de bovinos. Monografia (Pós-graduação em Nutrição e Alimentação de Ruminantes) – Faculdades Associadas de Uberaba, FAZU, Uberaba, 15 f. 2016.