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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Adubação x Qualidade da Pastagem – Minerais 3/5


A composição mineral de espécies forrageiras varia em função do teor destes no solo. De modo que, quanto maior teor do mineral no solo, maior será a composição deste nas plantas, visto que a absorção é maior quanto mais nutrientes estiverem disponíveis na solução do solo (DRUMOND; AGUIAR, 2005).
A adubação com macronutrientes (NPK) promove o aumento da produção vegetal, consequentemente tem-se maior extração dos demais minerais no solo. A disponibilidade de nitrogênio (N) nos solos do Cerrado é geralmente baixa e esse elemento exerce papel fundamental na modulação de respostas à adubação de forrageiras, que incluem concentração de minerais na parte área dos vegetais (PRIMAVESI et al., 2004).
Observa-se na TABELA 1 uma compilação de referências sobre o efeito da fertilização nitrogenada na concentração de nutrientes na planta, cujo os dados apresentados confrontam a baixa ou não aplicação de N contra quantidades tradicionalmente utilizadas pelos pecuaristas (200 a 250 kg/ha/ano de N).

Tabela 1: Efeito da adubação nitrogenada sobre a concentração de nutrientes nas espécies forrageiras e faixa adequada para desenvolvimento da planta

Espécie
Dose N (kg/ha/ano)
Teor de nutrientes na matéria seca
N
P
K
Ca
Mg
S
Cu
Fe
Mn
Zn
------------------- g/kg -------------------
-------- mg/kg ----------
Panicum sp¹
70
13,8
3,0
24,6
5,0
2,2
1,3
8,6
23
6,9
18
210
16,5
2,9
28,8
4,9
2,4
1,8
9,1
25
8,4
20
Brachiaria sp.²
0
14,0
3,2
21,0
5,1
4,1
1,4
7,0
239
70
29
200
17,0
3,3
28,0
5,3
4,0
1,4
7,0
197
58
32
Cynodon sp.³
0
16,5
3,0
16,8
3,5
1,8
3,1
6,0
275
85
18
250
18,7
3,0
20,3
3,5
2,0
3,1
7,0
224
77
19
Faixa adequada4
15 - 25
1,5 - 3,0
15 - 30
3 - 8
1,5 - 4,0
1,5 - 3,0
4 - 14
50 - 250
40 - 200
20 - 50
Fonte: 1- FREITAS et al., 2007. 2- PRIMAVESI et al., 2006. 3- PRIMAVESI et al., 2004. 4- Faixa adequada para o desenvolvimento das espécies forrageiras avaliadas (WERNER et al., 1996).


No trabalho de Freitas et al. (2007), destaca-se os baixos valores de encontrados de para ferro (Fe) e manganês (Mn). Conforme os pesquisadores, essa baixa concentrações dos metais em questão no tecido da planta podem ser explicadas pelo pH final do solo, correspondente a 6,2 em água, no qual os torna de difícil disponibilidade para a planta e pelo elevado peso molecular destes fazendo com que sua mobilidade no solo e na planta seja reduzida.
Os dados elucidados na TABELA 1 denotam que a adubação nitrogenada de modo geral acelera o metabolismo da planta e a notável absorção N beneficia o restante dos minerais através do fluxo de massa, desde que a disponibilidade hídrica do solo não seja limitante (SILVA, 2005). A redução nos teores de alguns minerais pode ser explicada em parte pelo efeito de diluição, ou seja, quando a aplicação de N aumenta a produção de MS mais rápido que a absorção dos nutrientes em questão, de tal forma que a concentração destes nas plantas se dilui PRIMAVESI et al., 2006).
 Níveis de nitrogênio influenciam na relação do potássio (K) com Ca e Mg. Os cátions são transportados em concentrações equivalentes à dos ânions, tais como o nitrato, portanto o transporte de ânion-cátion para as folhas não é específico para Ca, Mg ou K. Quando a redução do nitrato ocorre nas raízes, resulta na translocação de compostos orgânicos de N, do solo para a planta, os quais mostram alguma seletividade para K mais do que para Ca ou Mg. Deste modo, maior absorção de K conduz à redução do teor de Mg e/ou Ca. O aumento da absorção de K e também de Ca e Mg sugere que o N-nitrato estava predominantemente envolvido (PIRMAVESI et al., 2004).
 O cálcio (Ca) tem um papel importante no metabolismo do N, na sua ausência algumas espécies são incapazes de absorver ou acumular nitratos. Enquanto que, o magnésio (Mg) influi na fotossíntese e na assimilação de hidrocarbonatos, sendo mais influenciados pelo pH do solo do que pela adubação nitrogenada (FREITAS  et al., 2007).
O N se interage com uma grande diversidade de nutrientes, sendo que estimula a absorção e translocação do fósforo (P). O maior fluxo de N do solo para a planta pode afetar o balanço hormonal em que o zinco (Zn) está envolvido, demandando maior adsorção deste nutriente. De modo semelhante, o aumento a extração de cobre (Cu) é devido à sua grande participação no metabolismo do N (MALAVOLTA, 1980).
O acréscimo de nutrientes específicos pode ser alcançado nas plantas privilegiando fertilização com fontes dos minerais que se pretende aumentar (RAIJ, 1991). Vale ressaltar que nos experimentos em analise (TAB. 1) todos os tratamentos, inclusive as testemunhas, receberam correções de calcário e adubação basal de P, K, S e micronutrientes (FTE BR12), portanto, a única variável que implicou em maiores concentrações dos minerais nas plantas foi a maior absorção de N. Desta forma, quando se comparou a presença contra a ausência da fertilização, no caso da adubação orgânica, os resultados foram mais evidentes, devido à testemunha não receber nenhum tipo de correção da fertilidade do solo.
Substancial aumento de minerais foram observados por Serafim (2010), quando se utilizou água residuária de suinocultura (ARS) no terceiro ano seguido em pastagem de capim-marandu, além de acrescentar em produção de MS, induziu o acúmulo de determinados minerais na parte aérea (TABELA 2). Segundo a autora cada 100 m³/ha/ano de ARS correspondia à aplicação de 220,61; 153,47; 20,51; 0,27 e 0,02 kg/ha de N, P, K, Ca e Mg, respectivamente.

Tabela 2: Efeito da adubação com água residuária de suinocultura (ARS) sobre o teor de macronutrientes e produção de Brachiaria brizantha cv. Marandu
Volume ARS (m³/ha/ano)
Teor de nutrientes (g/kg MS)
Produção MS (kg/ha/ano)
K
P
Ca
Mg
0
5,7
2,5
5,3
3,3
10,784
100
6,8
3,3
6,6
4,0
15,072
200
6,4
3,8
7,8
4,2
17,240
300
7,0
3,5
8,2
4,1
19,472
600
8,4
3,9
9,4
4,1
22,776
Fonte: Adaptado de SERAFIM, 2010.

Segundo o NRC (1996), as exigências de K, P, Ca e Mg, de bovinos de corte ou leite em picos de produção são 6,0 g/kg, 3,9 g/kg, 6,5 g/kg e 1,0 g/kg, respectivamente. De acordo com os dados apresentados por Serafim (2010), a aplicação de doses acima de 100 m³/ha/ano de ARS atende à demanda de macronutrientes dos bovinos, reduzindo assim o custo de suplementação com estes nutrientes, lembrado que o maior custo da suplementação mineral advém do fósforo e do cálcio.
Um dos benefícios de resíduos agropecuários como fertilizantes orgânicos é o fornecimento de micronutrientes, além dos macronutrientes, apesar da grande variação de sua composição em função do manejo de criação dos animais, principalmente com respeito à limpeza das instalações (SERAFIM, 2010; SILVA, 2005).
A extração de nutrientes do solo pelas forrageiras tende a se elevar com o aporte de N ao proporcionar altos rendimentos de massa exigindo maiores doses de adubos, tanto macro como micronutrientes para reposição no tecido planta. No período das secas a redução da absorção pelo fluxo de massa, reduz consequente a concentração de nutrientes na pastagem (PRIMAVESI et al., 2004). Em vista disso, mesmo com a adubação da pastagem, o período das secas exige atenção especial na suplementação mineral do rebanho.
A elevação dos teores de minerais nas plantas forrageiras só deve ser feita com o objetivo de maximizar a produção da pastagem e não para atender às exigências dos animais. Visto que, pode provocar graves desbalanceamentos nutricionais, quando comparado com o fornecimento dos minerais diretamente no cocho. Embora o uso da adubação possa trazer redução considerável na quantidade de suplementos minerais fornecida para os bovinos.

Este texto foi extraído de:
RABELO, D. M. L. Efeito da adubação na qualidade da pastagem e no desempenho de bovinos. Monografia (Pós-graduação em Nutrição e Alimentação de Ruminantes) – Faculdades Associadas de Uberaba, FAZU, Uberaba, 15 f. 2016.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Adubação x Qualidade da Pastagem – Carboidratos 2/5

Os carboidratos desempenham funções associadas a diversos processos metabólicos como transferência e armazenamento de energia, e quantitativamente são os principais componentes da parede celular das plantas (ANTUNES et al., 2011). Esses nutrientes são classificados como estruturais (celulose, hemicelulose) e não estruturais (sacarose, glicose, frutose, amido, pectina).
Nos ruminantes os carboidratos fibrosos, ou estruturais, são fundamentais para o atendimento das exigências de energia, manutenção da saúde do animal, síntese de proteína microbiana e de componentes do leite. A fibra representa a fração de carboidratos dos alimentos de digestão lenta ou indigestível, e dependendo de sua concentração e digestibilidade, impõe limitações sobre o consumo de matéria seca (NUSSIO et al, 2011).
O uso de técnicas adequadas permite às plantas forrageiras tropicais de ciclo fotossintético C4, produzirem acima de 60 toneladas de matérias seca por hectare (DRUMOND; AGUIAR, 2005). A grande produção de biomassa exige uma estrutura de sustentação mais resistente, com isto o teor de fibra, principalmente lignina, é mais elevada em plantas C4 em ralação às do grupo fotossintético C3. Essa progressão ocorre em detrimento do conteúdo celular e componentes de boa digestibilidade, como os carboidratos não estruturais (CNE) e proteína (VAN SOEST, 1994).
Pastagens tropicais, logo, se caracterizam por serem menos digestíveis para ruminantes em função da alta incorporação de fibra na matéria seca. Entretanto, a adubação associada ao manejo da pastagem possibilita aos pastos tropicais valores de fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) semelhantes aos de plantas temperadas, fotossíntese C3 (DANES, 2010).
A FDN é uma forma de expressar o total de fibra das plantas e é composta por hemicelulose, celulose e lignina, que apresentam lenta taxa de digestão. Dos constituintes da FDN, a hemicelulose é a que apresenta maior digestibilidade ruminal, seguida pela celulose. Já a lignina é indigestível pela microbiota do rúmen, contudo este tipo de fibra está diretamente correlacionada com a digestibilidade “in vitro” da matéria seca (VAN SOEST, 1994).
O alto volume ocupado no rúmen pela fração fibrosa das forragens, aliando as características de baixa densidade e degradação lenta, quando relacionada ao conteúdo celular, limita o consumo pelo enchimento ruminal. Nesse contexto a FDN assume papel central uma vez que o consumo é o principal responsável pelo desempenho animal em sistemas pastoris (REIS; DA SILVA et al., 2011). Entretanto é importante enfatizar que uma maior facilidade de hidrólise da FDN pode favorecer seu desaparecimento no rúmen, reduzir o enchimento físico e permite o maior consumo voluntário de alimentos. A hidrólise da FDN é elevada com a redução da concentração de lignina (NUSSIO et al., 2011).
Estudos mostram que a adubação nitrogenada implicou em leve redução do teor de FDN. Em ampla revisão de 19 experimentos onde se computou a fibra insolúvel em detergente neutro, nove apresentaram queda linear da FDN, em quatro os valores não foi alterado e seis não seguiram nenhuma tendência de aumento ou queda com aplicação progressiva de N, podendo haver influência de erros experimentais (FABRICIO et al., 2010; REIS et al., 2013; RODRIGUEZ, 2012).
Van Soest, (1994) sugeriu que a FDN seja abaixo de 60% da matéria seca (MS) nas forragens, para que não venha a limitar o consumo pela expansão do rúmen. Essa situação foi observada por Souza et al. (2006) e Fabricio et al. (2010), quando agregaram mais fertilizante nitrogenado no manejo das cultivares, de Panicum maximum, Atlas, Massai e Tobiatã, e ainda por Henriques et al. (2007), cultivando Setaria anceps.
A lignina localiza-se principalmente na lamela média, onde é depositada durante o enrijecimento do tecido vegetal, tornando mais firme a estrutura da celulose. A lignificação da parede celular é um processo oneroso para os vegetais, desta maneira o rápido crescimento diminui a lignificação (ANTUNES et al., 2011).
Reis et al. (2013) e Rodriguez (2012), corroboraram essa afirmação ao identificarem alteração na lignificação com elevação da produção de MS em Brachiaria brizantha, havendo diminuição da lignina de 3,23 para 2,66% e 4,40 para 3,59%, quando a dose de N mudou de 0 para 350 kg/ha/ano e 50 para 300 kg/ha/ano, nas respectivas investigações. Todavia, VIANA et al. (2011) esclareceram que a adubação nitrogenada máxima de 300 kg/ha/ano, não teve implicação sobre a lignina, que manifestou média de 5,78% da MS no Brachiaria decumbens.
Na FIGURA 1 pode-se observar a elevação da DIVMS (Digestibilidade “in vitro” da matéria seca) com influência das doses de N. Oliveira et al. (2011), presenciaram que as taxas de N na adubação anual responderam por 80% das variações na DIVMS. Rodriguez (2012), validou esse conceito ao indicar que a digestibilidade “in vitro” da FDN somou em média 2,1 pontos percentuais (54,4% x 56,5%), comparando os tratamentos com 50 contra 600 kg/ha/ano de N, nos capins Marandu e Mombaça.
  

Figura 6 - Efeito da adubação nitrogenada sobre a digestibilidade “in vitro” da matéria seca (DIVMS em % da MS).
Fonte: Adaptado de FRANÇA et al., 2007; OLIVEIRA  et al., 2011; RODRIGUEZ, 2012.

Lançanova (1991), sugeriu que o incremento de uma unidade percentual na digestibilidade da dieta resulta no aumento de 100 kg de leite por lactação e para compensar a redução de um ponto percentual da digestibilidade da MS de forragem é necessário cerca de 0,6 kg de concentrado por dia para cada vaca em lactação. Avaliando a curva de DIVMS apresentada (FIGURA 1), a adubação com nitrogênio para quantia de 102 kg/ha/ciclo (nível econômico) resultaria no acréscimo de 2,5% de DIVMS, ou seja, economia de 1,5 kg de concentrado por vaca diariamente ou 457,5 kg de leite a mais no decorrer da lactação (305 dias).
A correlação da PB com a FDN e o efeito deste último na DIVMS e consumo de MS (CMS) foram confirmados por Soares et al. (2004), que examinaram a composição bromatológica e consumo de capim-elefante (Pennisetum purpureum cv. Napier) picado e fornecido no cocho para vacas em lactação. Para estes cientistas quanto maior a FDN, variando de 62,99; 65,50 e 70,12% da MS, o teor de PB reduz, apresentando 11,37; 10,49 e 9,09%, tem-se também redução da DIVMS 58,70; 57,71 e 55,16%, reduzindo consequentemente o CMS 1,90; 1,80 e 1,70% do peso vivo, respectivamente.
O nitrogênio aplicado às plantas eleva a concentração de proteína na MS, em detrimento da FDN. E o acúmulo de produtos nitrogenados, promove diluição da fração de parede celular incrementando a digestibilidade. O crescimento acelerado das pastagens que recebem adubação aumenta também a digestibilidade por adicionar componente de maior degradação ruminal, a hemicelulose. A redução da FDN e maior DIVMS promove o consumo, que por sua vez alavanca o desempenho.

Carboidratos não estruturais
Os carboidratos não estruturais (CNE), representados pela sacarose, glicose, frutose e amido, são mais prontamente digestíveis pela microbiota ruminal. O alto poder fermentativo destes, em relação aos carboidratos estruturais, os garantem como boas fontes energéticas. Carboidratos não estruturais atuam em processos bioquímicos diversos, principalmente como fonte de energia ou cadeias de carbono. São representados pelas frações de carboidratos contidas dentro das células e em maior concentração armazenados em estruturas de reservas. A acumulação de carboidratos solúveis nos tecidos das plantas ocorre quando, a taxa de formação de glicose, durante o processo fotossintético excede a quantidade necessária ao crescimento e respiração (ANTUNES et al., 2011).
As plantas forrageiras, mesmo em plena fase de crescimento, armazenam material de reserva na raiz e base do colmo para garantir sua sobrevivência em caso de estresse (CECATO et al., 2001). Sabe-se que as gramíneas tropicais acumulam pouco CNE em condições de nitrogênio (N) limitante. O acúmulo dos carboidratos solúveis pode ser atribuído ao alongamento da lamina foliar, em decorrência da maior idade do vegetal e de doses de N, proporcionando ampliar a produção de fotoassimilados, que são translocados para os tecidos de reserva. Entretanto, se a altura de pastejo ou do corte for drástica e não favorecer a manutenção de um índice de área foliar mínimo ocorrerá gasto dos carboidratos de reserva em busca de estabelecer um novo estande de folhas, a partir do qual começaram a produzir fotoassimilados deixando-a de ser dreno para atuar como fonte de CNE (RODRIGUES, 1984).
A prática de fornecer fertilizantes para a pastagem conciliada com colheitas não frequente resulta em aumento nos teores de carboidratos de reserva. Vantini et al. (2005), encontram maior efeito, sobre o aumento de CNE, correlacionado com a idade da planta em vista do nível de adubação com N, sendo que as duas variáveis foram positivas em promover a quantidade de CNE, na base do colmo e nas raízes.
Em contraponto, estudos realizados por Rodrigues et al. (2005), mostraram que a aplicação de fertilizantes promove perdas nos teores de CNE do Brachiaria decumbens, e atrelado a este feito apuraram acréscimo na produção de MS. Os autores indicaram que a adubação nitrogenada acarreta redução das reservas porque estimula o crescimento, mobilizando os compostos acumulados nos diversos órgãos.
Os carboidratos de reserva são de grande importância para as plantas forrageiras na sua recuperação após o corte ou pastejo, desta maneira desfolhas constantes reduzem a concentração de CNE. Contudo, deve ser satisfeita a condição para armazenamento dos carboidratos de reserva, que são utilizados pela planta como nutrientes para a sua manuteção e o desenvolvimento de futuros perfilhos e raízes. Então, um bom manejo atrelado à adubação torna-se importante para a recuperação e produção das plantas forrageiras, como também aumento dos CNE que são fontes de energia prontamente digestível para os animais.

Este texto foi extraído de:
RABELO, D. M. L. Efeito da adubação na qualidade da pastagem e no desempenho de bovinos. Monografia (Pós-graduação em Nutrição e Alimentação de Ruminantes) – Faculdades Associadas de Uberaba, FAZU, Uberaba, 15 f. 2016.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Adubação x Qualidade da Pastagem – Proteína 1/5


Este é o primeiro artigo de uma serie de cinco que discorreram sobre a o benefício indireto da adubação de pastagem sobre a qualidade da forragem. Nos dois últimos artigos da série abordaremos o efeito da adubação no desempenho animal. Neste artigo será discorrido sobre o teor de proteína bruta e produção de biomassa.

A intensificação do sistema de produção baseado em pastagens permite bom resultado produtivo. Nesse processo, o homem como manejador consegue interferir-nos vários fatores naturais que interagem entre si, clima-solo-planta-animal, potencializando a produtividade ao eliminar condições não desejáveis. Da interação solo-planta-animais surgem situações especificas, como a correção da fertilidade do solo, que podem influenciar a oferta de nutrientes provenientes do solo para as plantas e destas aos animais (CORSI, 1994). Entende-se que ao deixar a forragem bem nutrida, o homem, estará proporcionando isto também para o animal ao consumir esta pastagem. Contudo, os animais mantidos em pastagens fertilizadas são menos dependentes de suplementação, seja proteico-energética e até mesmo mineral (DANÉS, 2010; SILVA, 2005).
A literatura dispõe de uma vasta gama de estudos demonstrando que a produção forrageira é fortemente incrementada pela correção da fertilidade do solo. No entanto, são poucas as investigações direcionadas a medir o ganho individual dos animais que se alimentam de pastagem adubada. Em virtude disso objetivou-se no presente trabalho revisar em estudos científicos o efeito da adubação sobre a qualidade da forragem e o desempenho de bovinos criados a pasto.
Proteínas são macromoléculas, formadas por estruturas menores, chamados aminoácidos, presentes nas células com funções diversas como, componentes estruturais, armazenamento de informações genéticas, recepção de estímulos hormonais, funções enzimáticas, energéticas e hormonais. Alguns aminoácidos o corpo animal é capaz de produzir, são conhecidos como não essenciais, outros são necessários que sejam obtidos através dos alimentos, chamados de essenciais. A proteína é um nutriente de alto impacto no desempenho produtivo dos animais (SANTOS; PEDROSO, 2011).
O nitrogênio (N) faz parte das proteínas, e é demandado em grandes quantias pela planta, atuando também no metabolismo, na estrutura vegetal e síntese de clorofila. Este elemento é o principal constituinte das proteínas, e compõe, em média 16% destas moléculas, logo o teor de N na dieta interfere diretamente no equilíbrio da microbiota ruminal, que depende deste para produzir proteína microbiana. Pela sua participação na molécula de clorofila, o nitrogênio interfere diretamente no processo fotossintético e consequentemente na produção de biomassa (MALAVOLTA, 1980).
O potássio (K) é o cátion em maior concentração nas plantas, portanto apresenta relevantes funções fisiológicas e metabólicas como ativação de enzimas, fotossíntese, translocação de assimilados, absorção de nitrogênio e síntese protéica. Em vista da alta demanda torna-se limitante em sistema de utilização intensiva do solo. Segundo Primavesi et al. (2006), a adubação nitrogenada tem, muitas vezes, apresentado respostas produtivas abaixo das esperadas, em virtude dos inadequados níveis de potássio, que por ser demandado em altas concentrações, assim como o nitrogênio, acaba por limitar a produção de massa pela forragem, quando este nutriente não é suprido adequadamente.
O fósforo (P) está presente nas plantas, principalmente na forma de ortofosfato e sua principal função é no transporte de energia, para as atividades metabólicas. De maneira análoga ao nitrogênio ao fazer parte da clorofila e proteínas, o fósforo é necessário para que ocorra a síntese protéica e a ativação de uma série de enzimas, e consequentemente na produção de massa pelos vegetais (MARSCHNER, 1995). Patês et al. (2008), descreveram que a ausência de P na adubação limitou a produção de matéria seca (MS) e proteína bruta (PB) do capim-tanzânia em casa de vegetação.
O enxofre (S) é requerido pelas plantas para a síntese de proteínas, haja vista que faz parte da estrutura de dois aminoácidos essenciais, metionina e cisteína, os quais podem center cerca de 90% do total de enxofre na planta e estes aminoácidos compõe todas as proteínas dos seres vivos (MALAVOLTA, 1980). Vitti et al. (1986) também citaram que o enxofre faz parte de compostos relacionados a sabores e odores, importantes na aceitabilidade e consequentemente consumo da forragem pelos animais.
A deficiência de S nos solos compromete o desenvolvimento e a qualidade das forrageiras (RODRIGUES, Rosane et al., 2005). Nada obstante, alguns autores excluem a adubação sulfatada ao avaliar o potencial da produção de PB com a melhora na fertilidade do solo, limitando em partes, o acúmulo de PB na planta pela deficiência de S. Todavia, Costa et al. (2010), obtiveram aumento linear na extração de S ao nutrir melhor a planta com N.
Nitrogênio é o elemento mais demandado para a resposta de plantas forrageiras, porém ao realizar apenas adubação nitrogenada os demais nutrientes passam a ser limitantes, conforme a lei do mínimo proposta por Liebig em 1843 (RAIJ, 1991). O aumento na produção da forragem, em resposta à fertilização com N, implica também na aplicação de outros nutrientes, como potássio e fósforo, além da adoção de práticas adequadas de manejo (ANDRADE et al., 2000). No entanto, Primavesi et al. (2008), não observaram variação na PB com doses crescentes de fósforo (0 até 210 kg/ha/ano de P2O5) e potássio (0 até 300 kg/ha/ano de K2O) associado à fertilização nitrogenada, de modo que a PB média geral foi 15,1%, onde as dose de N  (0 até 300 kg/ha/ano de N) foram significativas (nível de 1%) em aumentar a PB.
Desta forma, nas pesquisas revisadas as doses de potássio e fósforo foram proporcionais às análises de solo e à fertilização nitrogenada. Mas devido à dificuldade comparativa dos três ou apenas dois elementos em conjunto o teor PB será estudado em função das doses de nitrogênio, assim como os demais comparativos, nos próximos artigos, sobre a variação da adubação neste estudo.
A fonte do fertilizante nitrogenado foi indicado, por Primavesi et al. (2004), como influenciador do percentual de PB da forragem. Os pesquisadores constataram aumento na média de PB em 11,4% (14,7% x 13,2%) quando usou nitrato de amônio em substituição da uréia. De acordo com os autores, o aumento de proteína bruta possivelmente está relacionado com a perda de amônia (NH3) por volatilização da uréia, já que no nitrato a participação da NH3 é menor. Em vista dessa variação, padronizou-se avaliar trabalhos que usaram uréia com fonte de nitrogênio.
Os resultados da análise de regressão (FIG. 1) revelaram efeito quadrático positivo das doses de N sobre a produção de PB, ou seja, no início da curva o aumento de PB é linear, porém com taxas maiores de N observa-se pouco incremento de proteína bruta. Pela equação de regressão a PB alcança 20,6%, com taxa de N acima de 220 kg/ha/ciclo, onde o ciclo corresponde ao espaço de tempo entre dois cortes da forragem.


Figura 1: Efeito da adubação nitrogenada no teor de proteína bruta (%) de forragens tropicais.

Salienta-se que o teor de PB nas cultivares estudadas sem adubação nitrogenada, ainda que contemplando boa disponibilidade de água no solo, ficou próximo de 7%, nível crítico para o atendimento das necessidades nutricionais da microbiota dos ruminantes, conforme Minson et al. (1994). Os autores afirmaram que teores de PB abaixo deste limite ocasiona queda na ingestão de matéria seca pelos animais, devido à carência de nitrogênio aos microrganismos ruminais. Com isso, se obtêm resultados com suplementação proteica mesmo durante o período das águas em pastagens cultivadas em solos de baixa fertilidade (RESENDE et al., 2011).
Segundo Oliveira et al. (2011), a proporção de PB na matéria seca do capim-coastcross (Cynodon dactylon), incrementou com altas doses de nitrogênio, quando não houve limitação de água no solo, onde a PB atingiu 24,2% com adubação de 400 kg/ha/ano de N e 28 dias de intervalos entre ciclos. Com essas mesmas condições Henriques et al. (2007), contabilizaram 25,2% de PB%, em Setaria sp. Estudos também relatam teores acima de 18% de PB em pastagens dos gêneros Panicum e Brachiaria (SOUZA et al., 2006; ALVES et al., 2008). A maior taxa de adubação nitrogenada e menor frequência de colheitas melhora a relação de folhas/caules, sendo que as folhas são mais ricas em PB. Altas doses de adubação nitrogenada nem sempre resultam em acréscimo de PB, dado que o N também é eficiente em aumentar a produção de matéria seca, ocorrendo diluição da PB (VIANA et al., 2011).
A adubação nitrogenada contribui com a elevação do nitrogênio não proteico (NNP), correspondente à fração A, segundo a classificação de Cornell Net Carbohydrate and Protein System (CNCPS) para proteína bruta. Ao encontro que as frações associadas à parede celular, B3 e C, proteína de degradação lenta e indigestível respectivamente, reduziram sua participação na PB. Ademais, as pesquisas evidenciaram pequenas alterações das frações de digestão ruminal rápida e intermediaria, respectivamente B1 e B2, quando a planta foi adubada (HENRIQUES, et al., 2007; JONHSON et al. 2001). Intervalos entre ciclos longos restringem o NNP e aumentaram a participação das frações B3 e C (HENRIQUES, et al., 2007). Contudo, a adubação e o ponto de colheita da pastagem permitem aumentar a PB aproveitável pelos ruminantes (FIG. 2).

Figura 2 - Efeito da adubação nitrogenada nas frações da proteína bruta (% da PB) dos capins Tifton 85 e Grama Estrela.

O resultado encontrado por Jonhson et al. (2001), demonstrado na FIG. 2, confirma o fato das plantas terem capacidade de absorver mais nutrientes que suas necessidades, é o chamado consumo de luxo. A planta, na presença abundante de nutrientes no solo, armazena os mesmos no vacúolo na sua forma mais simples, nitrato (NNP) ao invés de proteínas, como estratégia para serem usados em possível situação de estresse. Quando ocorre o consumo de luxo pelas culturas, há possibilidade de perdas econômicas, pois o produtor pode ter investido para que o aumento destes teores fosse efetivado por meio de aplicação de fertilizantes e corretivos, assim, se a planta apresentar concentrações superiores de nutrientes sem crescer a produção, significa ineficiência produtiva (PRIMAVESI, et al., 2004).
Primavesi, et al. (2006), notificaram, em capim-marandu, aumento expressivo de nitrato (706 mg/kg MS) na dose de 200 kg/ha/ciclo de N em comparação com as demais taxas, 0; 50 e 100 kg/ha que apresentaram respectivamente, 223; 302 e 276 mg/kg MS de nitrato nas folhas. Os mesmos autores indicaram que o K aumenta a eficiência de uso do N com a maximização da produção de massa, baixos teores de K proporciona aumento da concentração dos compostos de N solúvel nas plantas.
A alta variação na produção de forragem entre os experimentos fez com que ocorresse muita dispersão dos dados (R2 38,00%). Apesar disso, denota-se nas pesquisas analisadas a tendência da curva (FIG. 3) de estabilidade da produção mesmo com doses nitrogenadas crescentes, ou seja, a eficiência de uso do N é menor para doses mais expressivas. No caso desta análise em especifico a curva de regressão indica que a máxima forragem acumulada (FA) em MS é 2443,3 kg/ha/ciclo, ao nível de 173,6 kg/ha/ciclo de N (FIG. 3). Contrariando essa informação, fertilizando com até 200 kg/ha/ciclo de N Primavesi, et al. (2004) e Primavesi, et al. (2006), observam produção de massa seca, dos capins Marandu e Coastcross, de 3082 e 3448 kg/ha/ciclo, respectivamente.
  
Figura 3 - Efeito da adubação nitrogenada na produção de massa de forragem acumulada - FA (kg MS produzida no ciclo por kg N aplicado).

Verifica-se, através dos dados exposto na FIG. 03, que a produção da cultura não aumenta proporcionalmente com as dosagens do adubo utilizado, logo o acréscimo não é proporcional ao incremento do fator de produção, sendo neste caso o fertilizante nitrogenado. Em vista disso, um rendimento equivalente a 90% da produção máxima (2199,0 kg/ha/ciclo de MS) é considerado o nível econômico e foi conseguido com a aplicação nitrogenada de 102,2 kg/ha/ciclo, havendo redução de 58,9% na quantia de nitrogênio comparado com a fertilização para produção máxima (RAIJ, 1991). Diante do exposto pode-se inferir que a melhor estratégia passa a ser, fertilizar áreas maiores de pasto com doses menores de fertilizante em relação a pequenas áreas com altas quantias de N.
Com base nos resultados compilados fica evidente a necessidade de adubações nitrogenadas para que se busquem concentrações superiores de proteína bruta (PB) no extrato pastejável pelos animais. Entretanto, o consciente uso dos fertilizantes se faz necessário para melhorar a eficiência da técnica de adubação.

Este texto foi extraído de:

RABELO, D. M. L. Efeito da adubação na qualidade da pastagem e no desempenho de bovinos. Monografia (Pós-graduação em Nutrição e Alimentação de Ruminantes) – Faculdades Associadas de Uberaba, FAZU, Uberaba, 15 f. 2016.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Adubação de Pastagem: Balanço de Massas

O balanço de massas ou nutrientes trata-se de um novo método matemático para recomendações de corretivos e fertilizantes, no intuito de substituir o empirismo das tabelas para recomendação de adubação, por sistemas de cálculos que possuam maior base científica, permitindo uma aplicação mais abrangente, sem restrições regionalistas artificiais, e que sejam abertos ao crescente aperfeiçoamento, devido à lógica de sua constituição.
Em cultivos agrícolas a adubação pelo modelo balanço de massas (MBM) vem ganhando muitos adeptos, porém é na adubação de pastagens que a metodologia tem grande impacto. Visto que, os sistemas de pastejo devido às interações clima-solo-planta-animal, passam a serem dependentes de um modelo dinâmico que prevê as complexidades do ambiente avaliado. Fatores estes não considerados nos boletins regionais de fertilidade, onde basicamente se analisa as faixas de nutrientes no solo e em partes a produção da cultura.

Figura 1: Pastagem Fertilizada.

A recomendação de adubação pelo MBM leva em conta a quantidade de minerais retirados do solo durante o desenvolvimento das plantas, sendo que parte destes serão exportados nos produtos colhidos da área, seja carne ou leite, e a outra parte retorna através das reciclagens de fezes, urina e até mesmo componentes vegetais que não foram colhidos pelos animais, voltando desta forma a compor os nutrientes do solo por meio da decomposição microbiana.
O MBM também considera outras entradas de nutrientes no solo, como os obtidos da atmosfera que são o nitrogênio e enxofre, além dos elementos originalmente disponíveis no solo e mineralizados a depender da atividade dos microorganismos, onde por sua vez dependem das condições climáticas da região, principalmente precipitação pluviométrica e temperatura. O modelo ainda presume as perdas de nutrientes por volatilização, lixiviação e adsorção na argila.

Entradas de nutrientes
A deposição atmosférica de nutrientes via precipitações pluviais varia de 3 a 5 kg/ha/ano de nitrogênio (N) em áreas agrícolas, que são valores normais em ambientes não poluídos (CANTARELLA, 2007), já a fixação biológica associada as gramíneas varia de 20 a 45 kg/ha/ano de N (Reis Júnior et al., 2002).  Considerando a disponibilização de nutrientes via matéria orgânica do solo (MOS), para cada 10 g/kg de MOS, haverá mineralização anual de 30 kg de N, 1 a 4 kg de P e também de 1 a 4 kg de S em cada hectare cultivada (GUILHERME et al., 1995; SOUSA et al., 2004).
A reciclagem de nutrientes via fezes e urina também são importantes para o equilíbrio nutricional do solo, dado que reduz a necessidade de adubação quanto maior for quantia de dejetos que retornam para o pasto. Segundo Aguiar (2004), a distribuição das dejeções dos animais na pastagem depende de fatores como a taxa de lotação animal, método de pastejo, área de descanso, quantidade e frequência de excreção, sendo que 25% destas dejeções podem ter efeitos inexpressivos quanto à reciclagem de nutrientes em sistemas intensivos, devido à deposição dessas em currais, sob as sombras, corredores e áreas de bebedouros. O restante das dejeções cobre uma área bastante variável da pastagem, de 1 a 46%.
Estas vias de entradas dos minerais, juntamente com os elementos presentes na composição original do solo, são as únicas fontes de nutrientes que permitem aos pastos extensivos, sem adubação, produzirem forragem para pequenas lotações por áreas. Entretanto, com o passar dos anos o solo se torna exaurido, haja visto que existem perdas, levando com isto a degradação das pastagens, efeito este facilmente contornado com baixas doses anuais de adubação para a manutenção da forragem.

Potencial de Produção sem Adubação
No MBM a necessidade de fertilização ocorrerá caso as entradas de nutrientes no solo, atmosfera e reciclagens, não atenda a extração da pastagem para a produção desejada. Desta forma, em um pasto onde o objetivo não exige que a forragem tenha alta produção e consequentemente não venha a extrair grandes quantias de nutrientes, a reposição pode ser pontual de alguns minerais (FIGURA 2).

Figura 2: Potencial de produção sem adubação e nutrientes limitantes.

A Figura 2 apresenta o potencial de produção de uma pastagem sem adubação, em que a análise de solo apresentou as seguintes concentrações: 2% de matéria orgânica, 3, 5 e 80 mg/dm³ respectivamente de fósforo, enxofre e potássio. Observe que a lotação por hectare ficará limitada em 0,6 UA (unidades animal ou 450 kg de peso vivo) caso não seja feita a fertilização nitrogenada. Atendida as exigências de nitrogênio (N) o próximo nutriente limitante passa a ser o enxofre, seguido do fósforo. Sendo que para uma lotação de até 1,6 UA/ha não há necessidade de adubação potássica.
A interpretação da análise de solo e avaliação dos objetivos da propriedade permite ao técnico planejar de forma eficiente e econômica a melhor estratégia para a nutrição da pastagem. Entretanto, a adubação apesar de ser tida como uma tecnologia de alto custo por parte dos produtores possibilita flexibilidades de manejo e utilização de forma o proporcionar o melhor resultado na pecuária, esta que atualmente tem se tornado uma atividade altamente competitiva.

Efeito Residual dos Nutrientes
Modelos dinâmicos como MBM conseguem ainda simular o efeito residual deixado pela adubação ano após ano. Permitindo, desta forma, reduzir a necessidade de fertilizantes para obter a mesma produção nos anos subsequentes.
A dose de adubação nitrogenada pode ser reduzida numa taxa de 10 a 15% ao ano até o sétimo ano quando ocorre o equilíbrio de reciclagem do N. Desta forma após 7 anos a fertilização com N será de 30 a 40% da dose inicial visando uma mesma produção de matéria seca (PRIMAVESI et al., 2008).
De modo semelhante ao nitrogênio a adubação fosfatada também é amortizada ao longo dos anos (FIGURA 3), visto que após um ano de adubação o solo ainda retém próximo de 60% do fósforo distribuído no ano anterior. E até o quinto ano após a fosfatagem 5% do P aplicado permanece no solo (SOUSA et al., 2004).

Figura 3: Efeito residual da fertilização fosfatada ao longo dos anos.

A adubação de pastagem, contudo, é uma tecnologia de ampla versatilidade e quando bem planejada permite bons retornos sem haver a necessidade de desembolsos exagerados e ainda garante um efeito residual a ser desfrutados a partir do momento que se faz o uso da técnica.

Comente: Você faz uso da adubação de pastagem? Está satisfeito com os resultados obtidos?
Envie seu comentário e/ou sugestões por e-mail, caso você autorize podemos publicá-los. Contato: danilom.l.rabelo@gmail.com

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Fertirrigação: Reuso de Águas Residuárias

Questões ambientais como; poluição, desmatamento, mudanças climáticas e a escassez hídrica em algumas regiões são destaques nos sistemas de comunicação, dada a grande importância destes fatores na produção de alimentos e qualidade de vida do ser humano.
Em algumas partes do planeta as mudanças ambientais são mais intensas, levando as populações ao extremo com o objetivo de sobreviverem com mínimo de água. No Brasil, a crise hídrica há tempos assola algumas regiões principalmente no nordeste, no entanto a partir de 2013 outras regiões do país tem sentido os resultados desta recessão até mesmo regiões com altos índices pluviométricos como algumas localidades da região Norte.  
Ainda com relação ao meio ambiente, a minimização da poluição e dos impactos ambientais advindos do sistema de produção de alimentos, tanto de matéria prima como pela industrialização, carece de avaliação antes de se iniciar o empreendimento. As cadeias produtivas devem primar pelo equilíbrio entre produção e sustentabilidade. A política de buscar novas alternativas, tecnologias e ter bom planejamento do risco ambiental, é parte integrante do projeto. Dentro desta mentalidade vem o uso consciente dos recursos naturais, visando assim reduzir o volume de água na linha de produção e reutilizar a mesma dentro dos padrões possíveis, evitando desta forma os problemas com a poluição pelos despojos.
Sistemasde fertirrigação (Figura 1) no intuito de produzir alimentos são excelentes alternativas a fim da correta destinação destes resíduos líquidos. Visto que aproveita um recurso natural escasso, à água, e evita a contaminação de leitos hídricos, já que as outras formas de tratamento desta gera a emissão de óxido nitroso (Gás do efeito estufa) e não possuem alta eficiência ocorrendo ainda contaminação fluvial. Além do mais, este processo proporciona aumento da produção de alimentos, sanando outro sério problema mundial, a demanda por comida, diante do crescente aumento populacional.

Figura 1: Sistema de fertirrigação por aspersão em malha.

Os efluentes possuem alta concentração de nutrientes e quando escoado em cursos hídricos causa a eutrofização dos mesmos. Entretanto estes dois importantes recursos, água e fertilizante, são fundamentais em prol de elevar a produtividade agropecuária. Contudo a fertirrigação explorando o rejeito líquido “une o útil ao agradável”, isto é, o que era problema se transforma em recurso, aumentando a sustentabilidade da cadeia produtiva.
Atividades industriais como, frigoríficos, cortumes e graxarias (fabrica de farinha de carne e ossos), assim como, suinocultura, ordenha leiteira, confinamentos geram expressiva quantia de água residuária passível de ser utilizada na produção de alimentos. Lembrando que quando há presença de partículas maiores que 2 mm, demanda que o efluente passe por peneiras e/ou separador de sólidos (Figura 2) na intenção de evitar o entupimento dos aspersores do sistema de irrigação.

Figura 2: Separador de sólidos.

Os biodigestores (Figura 3), equipamento onde bactérias anaeróbicas digerem a carga orgânica do rejeito líquido, produzindo o biogás (75% metano e 25% CO2), usufruído na geração de energia elétrica. Nota-se que é possível reduzir substancialmente o custo de produção agropecuário, eliminando dois importantes itens, fertilizantes e energia elétrica, representando aproximadamente 40% e 15% do custo em sistemas de pastagem irrigada, respectivamente.

Figura 3: Biodigestor.

Empresas comerciais, que desfrutam da água de reuso na produção pecuária têm alcançado lotações de até 12 UA/ha, um salto elevado perante à média brasileira que é menor que 1,0 UA/ha. Enquanto propriedades que fazem fertirrigação com adubação química alcançam os mesmos resultados, porém com o dobro de desembolso. No entanto, além de ambientalmente correto o efluente distribuído via irrigação também é economicamente viável. Conciliando altas produções com baixo custo, proporcionando maior retorno financeiro.

Monitoramento da Aplicação
A técnica de fertirrigação apesar do baixo risco de contaminação ambiental exige monitoramento, com o objetivo de que a distribuição em excesso de resíduo em pequenas áreas leve a saturação do solo. Desse modo o excedente de nutrientes irá migra em direção das camadas profundas do solo, podendo atingir o lençol freático.
O primeiro preceito adotado no intuito de prevenir a lixiviação é o correto dimensionamento do teor de nutrientes, ou melhor, quantia de efluente a ser destinada no terreno. Para tal se baseia no método de balanço de massa, ou seja, calcular a capacidade potencial de extração pela cultura desejada e em função dessa informação definir o volume máximo a aplicar. Neste raciocínio a dose em excesso é evitada, com a finalidade de não ocorrer contaminação das águas subsuperficiais.
O balanço de massa é um modelo dinâmico na finalidade de recomendar correção da fertilidade do solo, que leva em consideração fatores, como: potencial produtivo da cultura, eficiência de colheita, reciclagem de nutrientes, características físico químicas do solo, condições climáticas, dentre outros. Ressaltando que as forrageiras, em especial as pastagens,estão em constantes estudos, com objetivo de investigar seu amplo potencial de extração, quando conduzidas dentro dos conceitos de produção intensiva.
Mesmo com o correto manejo da pastagem e/ou lavoura é necessário implantar estações de monitoramento, compostas por uma bateria de extratores de solução do solo instalados em diferentes profundidades (Figura 4). Quando concentrações maiores dos elementos químicos são analisadas nas camadas inferiores e é observado que está havendo lixiviação, se deve rever o manejo de resíduo líquido. Metodologia esta empregada em Israel, onde a palavra de ordem é o reuso de água.

Figura 4: Extratores de solução do solo em diferentes profundidades 30, 60, 90 e 120 cm.

O funcionamento dos extratores baseia-se na aplicação de tensão em cilindro com cápsula porosa (Figura 5) em contato íntimo com o solo, fazendo com que a tensão dentro do extrator seja menor em relação ao solo, isto resultará na transferência da água do solo ao interior da cápsula devido ao gradiente de potencial hídrico, então esta solução é coleta e analisada a concentração dos elementos químicos.

Figura 5: Bomba de vácuo.

O emprego de água residuária em cultivos agropecuários apresenta-se como uma revolucionaria e sustentável solução tecnológica. Visto que vem de encontro às reais necessidades de proteção ambiental, reaproveitamento de águas e fertilizantes orgânicos, diminuindo os impactos sobre as fontes esgotáveis, além do considerável incremento em produtividade. Não obstante que seja realizada á aplicação consciente e com o monitoramento ambiental, visando confirmar se o sistema de produção está ou não contaminando o ecossistema.

Enquete: Quais técnicas você tem desenvolvido na produção agropecuária sustentável?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Irrigação de Pastagem: Transformado Vidas

O Sítio São Sebastião localizado em Brasnorte - MT teve a sua rotina modificada após a implantação da sua primeira área irrigada de 2,33 ha em maio de 2013, para alimentar o rebanho leiteiro. Antes da irrigação a propriedade trabalhava com a produção de silagem para o período das secas, porém o custo da mesma ficava alto e ainda não era suficiente para alimentar o rebanho durante todo período de estiagem, chegando a ter que soltar as vacas leiterias, deixar de ordenhar, e até mesmo perdendo alguns animais de fome e fraqueza.

Figura 1: Dá direita para esquerda, patriarcas da família Sr Argimiro e Dª Sebastiana ao lado do consultor Danilo Rabelo.

Já com a implantação da irrigação, proporcionando melhor renda para a família Patriota, foi possível investir no melhoramento genético dos animais, em adaptações no sistema de criação de bezerras, no programa nutricional do rebanho e para melhor controle da propriedade a empresa começou a fazer o controle dos índices zootécnicos.

Figura 2: Rebanho de 51 vacas leiteiras se fartando na pastagem irrigada e adubada.

O resultado da irrigação de pastagem nos primeiros anos foi tão satisfatório, principalmente no período seco do ano (8,5 UA/ha), que com muito planejamento e esforço a fazenda inaugurou depois de 2 anos, em julho de 2015, a segunda fase da irrigação, uma área de 5,44 ha, totalizando 7,77 ha irrigadas, área necessária para manter as vacas em lactação que estão aumentando ano após ano. Nesta segunda fase o custo dos equipamentos de irrigação comprada à vista e sem financiamento foi de R$ 4.200,00/ha, a montagem foi feita pelos próprios donos.

Figura 3: Irmãos Patriota inaugurando a segunda fase da irrigação.

Segundo a própria família não seria possível os mesmos (10 pessoas) sobreviverem dignamente no sítio se não tivesse implantado o sistema de irrigação de pastagem e acreditam que a atividade leiteira é fundamental para pequenas propriedades.
A irrigação não só é viável, mas também fundamental para pequenas e grandes propriedades rurais, como ferramenta no planejamento alimentar e melhora do fluxo de caixa e renda da empresa. Com os devidos ajustes técnicos a tecnologia pode ser implantada com sucesso em pequenas ou grandes áreas.


Enquete: Você também compartilha da ideia que o uso da irrigação de pastagem pode melhorar a renda da propriedade? Por quê?

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Irrigação de Pastagem: Viabilidade Econômica

 Dia de Campo, realizado em São Gotardo – MG, com a presença de mais de 150 produtores rurais da região. A palestra ministrada pelo Eng. Agrônomo Danilo Max abordou como tema principal a Viabilidade Econômica da Irrigação de Pastagem, dentre outros veja o vídeo. 



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Bezerreiro Tropical

Atenção especial deve ser dada a criação de bezerras, por se tratar uma categoria muito sensível, que no curto período de três meses passa por grandes transformações. Inicia-se com a saída de um ambiente protegido, útero da mãe, onde tudo é controlador da melhor maneira possível temperatura, patógenos e nutrientes. Dispondo de todo conforto para o seu desenvolvimento até o momento da chegada ao novo mundo até então desconhecido e com diversos desafios.
Após o nascimento as mudanças são drásticas: alimentação antes líquida passa a ser sólida, o ambiente é composto por grande diversidade de patógenos, fatores ambientais mudam dia após dia, a necessidade de se adaptar ao grupo. Dada a todas estas transformações que a bezerra passa ela necessita de cuidados especiais. Ressaltando que estas bezerras serão as futuras vacas produtoras e que tendem a ser de genética superior ás suas mães, portanto o objetivo é manter todas com saúde, chegando ao final do processo sem prejuízos e somando maior patrimônio genético.

A criação de bezerras no sistema de bezerreiro tropical (Figura 1) vem se mostrando uma alternativa muito viável, pois permite que as bezerras expressem seu comportamento natural de brincar e pular, controlar a alimentação individual, evita a mamada cruzada, sombra durante todo dia, espaço para fugir do barro e capim fresco para desenvolvimento do rúmen.


Figura 1: Bezerreiro Tropical: Vista Geral.

O sucesso na criação de bezerras começa com a construção do bezerreiro. O comprimento do cabo para a bezerra movimentar é de 12 m e a largura de 4 m entre um cabo e outro, o cabo é colocado na posição central entre os pilares que sustenta o telhado, que pode ser de sombrite 80% (Figura 2) ou telha, ficando este na altura de 1,3 m. Já o cabo, que conduz a bezerra de um lado para outro, fica na altura de 0,8 m permitindo que a bezerra transite por baixo sem se enrolar no mesmo, para evitar que o animal também fique preso ao poste que sustenta o cabo são colocadas dentro do cabo mangueira preta ou isolador (de cerca elétrica – Figura 3) com comprimento proporcional ao da corrente. A corrente que prende a bezerra ao cabo é a mesma utilizada para cachorros, que são de 1,3 m aproximadamente e com destorcedor (Figura 4) evitando enforcamento.

Figura 2: Sombrite.

Figura 3: Isolador evita que a bezerra transite em volta do esticador do cabo / Bebedouro.

Figura 4: Destorcedor de pescoço.

Na Fazenda Ouro Branco, em Castanheira-MT, a mortalidade de bezerras estava acima de 20% com o sistema de criação de bezerro ao pé da vaca, sendo os principais agravantes a disseminação de doenças e carrapatos, falta de controle individual da alimentação e bezerros ladrão, que é quando os bezerros mais velhos mamam em outras vacas. Quando passou a criar às bezerras no bezerreiro tropical em três meses do sistema em funcionamento não se teve nenhuma morte de bezerro. A meta para o primeiro ano deste sistema é ficar abaixo de 5% na mortalidade de bezerros. Já para os anos subsequentes quando esta meta for atingida, novas metas mais desafiadoras serão implantadas, para isto contamos com a capacitação de toda equipe.

Enquete: Suas bezerras estão sendo bem criadas?