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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Adubação x Desempenho de bovinos de corte 4/5


A pecuária de corte representa aproximadamente 80% do rebanho brasileiro. O baixo custo de produção dos animais criados a pasto garante competitividade ao Brasil, fazendo com que este seja um dos grandes players no comercio mundial de carnes, se destacando como o maior exportador de carne bovina. A intensificação das pastagens nos últimos anos tem permitido a este país crescer sua participação no mercado de carnes especiais, mudando sua imagem de produtor de carne commodity (ANUALPEC, 2013).
Ao examinar o pastejo de gado, originário de raças europeias, em consórcio de forragens temperadas, aveia e azevém, durante o inverno Lupatini et al (2013), presenciaram progressão no ganho de peso vivo por área (GPV), contabilizando 335; 641 e 865 kg/ha, com aplicação de 0; 150 e 300 kg/ha de N, respectivamente. Os pesquisadores mencionaram que o desfecho foi proporcionado pela melhora no ganho médio diário (GDM) de 0,925; 0,969 e 1,045 kg/animal e na taxa de lotação (TL) 1,49; 2,69 e 3,30 unidade animal (UA) por hectare, da menor para maior dose de fertilização respectivamente.
A FIGURA 1 expressa as curvas do GMD e TL, com os diferentes níveis de adubação nitrogenada das pastagens tropicais e animais de origem zebuína, suplementados com sal mineral. As linhas de tendências, tanto do GMD quanto da TL, foram positivamente correlacionadas com a adubação.


Figura 1: Efeito da adubação nitrogenada no ganho médio diário (GMD) e taxa de lotação (TL).
Fonte: Adaptado de BERNARDINO et al., 2011;  MOREIRA et al., 2011; RIBEIRO et al., 2011.

As pesquisas analisadas em média dobraram o ganho de peso vivo por área, quando contrastou a dose 0 com 200 kg/ha/ano de N. Enfatizando, que foram testados apenas taxas de N, onde as parcelas testemunhas também receberam calcário, magnésio, fósforo e potássio, em vista disso a diferença no desempenho poderia ser mais expressiva, se comparar a presença versus a ausência de adubo aplicado.
Ganho de peso acima de 950 g/animal/dia foram percebidos por Ribeiro et al (2011) e Pinheiro et al. (2014) quando se uso novilhos nelores, suplementados com sal mineral, em pastagem de capim-tanzânia no período das águas, com dose de N acima de 150 kg/ha/ano. Nestas pesquisas, observou-se que no período seco do ano o desempenho é pouco associado com a adubação nitrogenada, devido à pouca atividade metabólica das plantas nesta época, desta forma não se faz distribuição de fertilizantes no decorrer destas estações (PRIMAVESI et al., 2004).
Gimenes (2010) ao investigar o efeito da adubação nitrogenada e a altura de manejo do capim-marandu em lotação contínua, sugeriu que o manejo é mais impactante no GMD (23,3 x 9,9%) e no ganho por área (31,5 x 23,8%) se comparado com a adubação (TABELA 1).

Tabela 6: Efeito da adubação e altura de manejo do pastejo contínuo sobre o ganho médio diário (GMD), taxa de lotação (TL) e ganho de peso vivo por área (GPV)
Tratamentos
GMD (kg/dia)
TL (UA/ha)
GPV (kg/ha)
Altura de Manejo (cm)
35
0,511
2,85
674
25
0,630
3,13
886
Doses de Adubação Nitrogenada (kg/ha/ano)
50
0,543
2,55
697
200
0,597
3,44
863
Fonte: Adaptado de GEMENES, 2010.

A suplementação concentrada está intimamente relacionada com o teor de proteína da forragem. Embora careça de mais informações os teores de proteína bruta (PB) acima de 11 a 12% na pastagem atende a exigência de bovinos em crescimento. Quando a proporção de proteína pela forragem for inferior a esses valores tem-se observado boa resposta à suplementação protéica. Ao passo que, se o solo estiver com a fertilidade corrigida, o capim for colhido no ponto ideal e não haver limitação hídrica, tende-se a elevar o conteúdo de proteína na planta e a melhor resposta animal será obtida com à adição de energia à dieta, que se distingue da suplementação protéica pelo menor custo (RESENDE et al., 2011).
Avaliando o efeito da suplementação energética com consumo ao nível de 0,6% do peso vivo (PV), em bovinos de origem zebuína cruzados com raças europeias, em pastejo adubado e rotacionado de capim-marandu (11,9% PB e 66,3% FDN) e Colonião (PB 17,4% e FDN 66,2%), respectivamente Agostinho Neto (2010) usando milho e Ramalho (2006) adicionando polpa cítrica com fonte energética, estimularam o GDM em 0,332 kg/animal (0,535 x 0,867) e 0,167 kg/animal (0,860 x 1,027), nos respectivos estudos. Apurando dados de fazenda comercial Franco (2014), quantificou GMD de 1,2 kg por animal, mantido em pastagem de capim-tifton 85 (21% de PB) irrigado, recebendo suplemento à base milho, minerais e aditivos na quantia de 0,4 % do PV.
As forragens tropicais são vistas pelos empreendedores rurais e técnicos do meio, como um alimento de baixa qualidade, contudo cada dia mais pesquisas vêm desmitificando este conceito e mostrando ser possível ganhos satisfatórios com baixo custo de produção, cabendo aos gestores adotarem técnicas comprovadas de manejo e condução das pastagens. Desempenhos acima de 0,85 kg/cabeça/dia são relatados em pastagens adubadas onde a única suplementação é mineral, já quando se reforça a ração com fonte energética, sendo o pasto intensivo a base da dieta, foi possível buscar resultados superiores à 1,0 kg/animal/dia (RAMALHO, 2006).
A adubação da pastagem caracteriza-se como uma tecnologia altamente viável, visto que além de otimizar a lotação, melhora do desempenho individual dos animais, potencializando o resultado do ganho de peso por área, sendo este último o verdadeiro indicativo de produtividade. Ao avaliar os custos com fertilizantes é preciso ter uma visão holística, dado que se tem benefícios diretos, do aumento produtivo, e indireto na redução de custo com suplementação tanto mineral, quanto proteíco-energética.

Este texto foi extraído de:
RABELO, D. M. L. Efeito da adubação na qualidade da pastagem e no desempenho de bovinos. Monografia (Pós-graduação em Nutrição e Alimentação de Ruminantes) – Faculdades Associadas de Uberaba, FAZU, Uberaba, 15 f. 2016.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Adubação x Qualidade da Pastagem – Minerais 3/5


A composição mineral de espécies forrageiras varia em função do teor destes no solo. De modo que, quanto maior teor do mineral no solo, maior será a composição deste nas plantas, visto que a absorção é maior quanto mais nutrientes estiverem disponíveis na solução do solo (DRUMOND; AGUIAR, 2005).
A adubação com macronutrientes (NPK) promove o aumento da produção vegetal, consequentemente tem-se maior extração dos demais minerais no solo. A disponibilidade de nitrogênio (N) nos solos do Cerrado é geralmente baixa e esse elemento exerce papel fundamental na modulação de respostas à adubação de forrageiras, que incluem concentração de minerais na parte área dos vegetais (PRIMAVESI et al., 2004).
Observa-se na TABELA 1 uma compilação de referências sobre o efeito da fertilização nitrogenada na concentração de nutrientes na planta, cujo os dados apresentados confrontam a baixa ou não aplicação de N contra quantidades tradicionalmente utilizadas pelos pecuaristas (200 a 250 kg/ha/ano de N).

Tabela 1: Efeito da adubação nitrogenada sobre a concentração de nutrientes nas espécies forrageiras e faixa adequada para desenvolvimento da planta

Espécie
Dose N (kg/ha/ano)
Teor de nutrientes na matéria seca
N
P
K
Ca
Mg
S
Cu
Fe
Mn
Zn
------------------- g/kg -------------------
-------- mg/kg ----------
Panicum sp¹
70
13,8
3,0
24,6
5,0
2,2
1,3
8,6
23
6,9
18
210
16,5
2,9
28,8
4,9
2,4
1,8
9,1
25
8,4
20
Brachiaria sp.²
0
14,0
3,2
21,0
5,1
4,1
1,4
7,0
239
70
29
200
17,0
3,3
28,0
5,3
4,0
1,4
7,0
197
58
32
Cynodon sp.³
0
16,5
3,0
16,8
3,5
1,8
3,1
6,0
275
85
18
250
18,7
3,0
20,3
3,5
2,0
3,1
7,0
224
77
19
Faixa adequada4
15 - 25
1,5 - 3,0
15 - 30
3 - 8
1,5 - 4,0
1,5 - 3,0
4 - 14
50 - 250
40 - 200
20 - 50
Fonte: 1- FREITAS et al., 2007. 2- PRIMAVESI et al., 2006. 3- PRIMAVESI et al., 2004. 4- Faixa adequada para o desenvolvimento das espécies forrageiras avaliadas (WERNER et al., 1996).


No trabalho de Freitas et al. (2007), destaca-se os baixos valores de encontrados de para ferro (Fe) e manganês (Mn). Conforme os pesquisadores, essa baixa concentrações dos metais em questão no tecido da planta podem ser explicadas pelo pH final do solo, correspondente a 6,2 em água, no qual os torna de difícil disponibilidade para a planta e pelo elevado peso molecular destes fazendo com que sua mobilidade no solo e na planta seja reduzida.
Os dados elucidados na TABELA 1 denotam que a adubação nitrogenada de modo geral acelera o metabolismo da planta e a notável absorção N beneficia o restante dos minerais através do fluxo de massa, desde que a disponibilidade hídrica do solo não seja limitante (SILVA, 2005). A redução nos teores de alguns minerais pode ser explicada em parte pelo efeito de diluição, ou seja, quando a aplicação de N aumenta a produção de MS mais rápido que a absorção dos nutrientes em questão, de tal forma que a concentração destes nas plantas se dilui PRIMAVESI et al., 2006).
 Níveis de nitrogênio influenciam na relação do potássio (K) com Ca e Mg. Os cátions são transportados em concentrações equivalentes à dos ânions, tais como o nitrato, portanto o transporte de ânion-cátion para as folhas não é específico para Ca, Mg ou K. Quando a redução do nitrato ocorre nas raízes, resulta na translocação de compostos orgânicos de N, do solo para a planta, os quais mostram alguma seletividade para K mais do que para Ca ou Mg. Deste modo, maior absorção de K conduz à redução do teor de Mg e/ou Ca. O aumento da absorção de K e também de Ca e Mg sugere que o N-nitrato estava predominantemente envolvido (PIRMAVESI et al., 2004).
 O cálcio (Ca) tem um papel importante no metabolismo do N, na sua ausência algumas espécies são incapazes de absorver ou acumular nitratos. Enquanto que, o magnésio (Mg) influi na fotossíntese e na assimilação de hidrocarbonatos, sendo mais influenciados pelo pH do solo do que pela adubação nitrogenada (FREITAS  et al., 2007).
O N se interage com uma grande diversidade de nutrientes, sendo que estimula a absorção e translocação do fósforo (P). O maior fluxo de N do solo para a planta pode afetar o balanço hormonal em que o zinco (Zn) está envolvido, demandando maior adsorção deste nutriente. De modo semelhante, o aumento a extração de cobre (Cu) é devido à sua grande participação no metabolismo do N (MALAVOLTA, 1980).
O acréscimo de nutrientes específicos pode ser alcançado nas plantas privilegiando fertilização com fontes dos minerais que se pretende aumentar (RAIJ, 1991). Vale ressaltar que nos experimentos em analise (TAB. 1) todos os tratamentos, inclusive as testemunhas, receberam correções de calcário e adubação basal de P, K, S e micronutrientes (FTE BR12), portanto, a única variável que implicou em maiores concentrações dos minerais nas plantas foi a maior absorção de N. Desta forma, quando se comparou a presença contra a ausência da fertilização, no caso da adubação orgânica, os resultados foram mais evidentes, devido à testemunha não receber nenhum tipo de correção da fertilidade do solo.
Substancial aumento de minerais foram observados por Serafim (2010), quando se utilizou água residuária de suinocultura (ARS) no terceiro ano seguido em pastagem de capim-marandu, além de acrescentar em produção de MS, induziu o acúmulo de determinados minerais na parte aérea (TABELA 2). Segundo a autora cada 100 m³/ha/ano de ARS correspondia à aplicação de 220,61; 153,47; 20,51; 0,27 e 0,02 kg/ha de N, P, K, Ca e Mg, respectivamente.

Tabela 2: Efeito da adubação com água residuária de suinocultura (ARS) sobre o teor de macronutrientes e produção de Brachiaria brizantha cv. Marandu
Volume ARS (m³/ha/ano)
Teor de nutrientes (g/kg MS)
Produção MS (kg/ha/ano)
K
P
Ca
Mg
0
5,7
2,5
5,3
3,3
10,784
100
6,8
3,3
6,6
4,0
15,072
200
6,4
3,8
7,8
4,2
17,240
300
7,0
3,5
8,2
4,1
19,472
600
8,4
3,9
9,4
4,1
22,776
Fonte: Adaptado de SERAFIM, 2010.

Segundo o NRC (1996), as exigências de K, P, Ca e Mg, de bovinos de corte ou leite em picos de produção são 6,0 g/kg, 3,9 g/kg, 6,5 g/kg e 1,0 g/kg, respectivamente. De acordo com os dados apresentados por Serafim (2010), a aplicação de doses acima de 100 m³/ha/ano de ARS atende à demanda de macronutrientes dos bovinos, reduzindo assim o custo de suplementação com estes nutrientes, lembrado que o maior custo da suplementação mineral advém do fósforo e do cálcio.
Um dos benefícios de resíduos agropecuários como fertilizantes orgânicos é o fornecimento de micronutrientes, além dos macronutrientes, apesar da grande variação de sua composição em função do manejo de criação dos animais, principalmente com respeito à limpeza das instalações (SERAFIM, 2010; SILVA, 2005).
A extração de nutrientes do solo pelas forrageiras tende a se elevar com o aporte de N ao proporcionar altos rendimentos de massa exigindo maiores doses de adubos, tanto macro como micronutrientes para reposição no tecido planta. No período das secas a redução da absorção pelo fluxo de massa, reduz consequente a concentração de nutrientes na pastagem (PRIMAVESI et al., 2004). Em vista disso, mesmo com a adubação da pastagem, o período das secas exige atenção especial na suplementação mineral do rebanho.
A elevação dos teores de minerais nas plantas forrageiras só deve ser feita com o objetivo de maximizar a produção da pastagem e não para atender às exigências dos animais. Visto que, pode provocar graves desbalanceamentos nutricionais, quando comparado com o fornecimento dos minerais diretamente no cocho. Embora o uso da adubação possa trazer redução considerável na quantidade de suplementos minerais fornecida para os bovinos.

Este texto foi extraído de:
RABELO, D. M. L. Efeito da adubação na qualidade da pastagem e no desempenho de bovinos. Monografia (Pós-graduação em Nutrição e Alimentação de Ruminantes) – Faculdades Associadas de Uberaba, FAZU, Uberaba, 15 f. 2016.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Adubação x Qualidade da Pastagem – Carboidratos 2/5

Os carboidratos desempenham funções associadas a diversos processos metabólicos como transferência e armazenamento de energia, e quantitativamente são os principais componentes da parede celular das plantas (ANTUNES et al., 2011). Esses nutrientes são classificados como estruturais (celulose, hemicelulose) e não estruturais (sacarose, glicose, frutose, amido, pectina).
Nos ruminantes os carboidratos fibrosos, ou estruturais, são fundamentais para o atendimento das exigências de energia, manutenção da saúde do animal, síntese de proteína microbiana e de componentes do leite. A fibra representa a fração de carboidratos dos alimentos de digestão lenta ou indigestível, e dependendo de sua concentração e digestibilidade, impõe limitações sobre o consumo de matéria seca (NUSSIO et al, 2011).
O uso de técnicas adequadas permite às plantas forrageiras tropicais de ciclo fotossintético C4, produzirem acima de 60 toneladas de matérias seca por hectare (DRUMOND; AGUIAR, 2005). A grande produção de biomassa exige uma estrutura de sustentação mais resistente, com isto o teor de fibra, principalmente lignina, é mais elevada em plantas C4 em ralação às do grupo fotossintético C3. Essa progressão ocorre em detrimento do conteúdo celular e componentes de boa digestibilidade, como os carboidratos não estruturais (CNE) e proteína (VAN SOEST, 1994).
Pastagens tropicais, logo, se caracterizam por serem menos digestíveis para ruminantes em função da alta incorporação de fibra na matéria seca. Entretanto, a adubação associada ao manejo da pastagem possibilita aos pastos tropicais valores de fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) semelhantes aos de plantas temperadas, fotossíntese C3 (DANES, 2010).
A FDN é uma forma de expressar o total de fibra das plantas e é composta por hemicelulose, celulose e lignina, que apresentam lenta taxa de digestão. Dos constituintes da FDN, a hemicelulose é a que apresenta maior digestibilidade ruminal, seguida pela celulose. Já a lignina é indigestível pela microbiota do rúmen, contudo este tipo de fibra está diretamente correlacionada com a digestibilidade “in vitro” da matéria seca (VAN SOEST, 1994).
O alto volume ocupado no rúmen pela fração fibrosa das forragens, aliando as características de baixa densidade e degradação lenta, quando relacionada ao conteúdo celular, limita o consumo pelo enchimento ruminal. Nesse contexto a FDN assume papel central uma vez que o consumo é o principal responsável pelo desempenho animal em sistemas pastoris (REIS; DA SILVA et al., 2011). Entretanto é importante enfatizar que uma maior facilidade de hidrólise da FDN pode favorecer seu desaparecimento no rúmen, reduzir o enchimento físico e permite o maior consumo voluntário de alimentos. A hidrólise da FDN é elevada com a redução da concentração de lignina (NUSSIO et al., 2011).
Estudos mostram que a adubação nitrogenada implicou em leve redução do teor de FDN. Em ampla revisão de 19 experimentos onde se computou a fibra insolúvel em detergente neutro, nove apresentaram queda linear da FDN, em quatro os valores não foi alterado e seis não seguiram nenhuma tendência de aumento ou queda com aplicação progressiva de N, podendo haver influência de erros experimentais (FABRICIO et al., 2010; REIS et al., 2013; RODRIGUEZ, 2012).
Van Soest, (1994) sugeriu que a FDN seja abaixo de 60% da matéria seca (MS) nas forragens, para que não venha a limitar o consumo pela expansão do rúmen. Essa situação foi observada por Souza et al. (2006) e Fabricio et al. (2010), quando agregaram mais fertilizante nitrogenado no manejo das cultivares, de Panicum maximum, Atlas, Massai e Tobiatã, e ainda por Henriques et al. (2007), cultivando Setaria anceps.
A lignina localiza-se principalmente na lamela média, onde é depositada durante o enrijecimento do tecido vegetal, tornando mais firme a estrutura da celulose. A lignificação da parede celular é um processo oneroso para os vegetais, desta maneira o rápido crescimento diminui a lignificação (ANTUNES et al., 2011).
Reis et al. (2013) e Rodriguez (2012), corroboraram essa afirmação ao identificarem alteração na lignificação com elevação da produção de MS em Brachiaria brizantha, havendo diminuição da lignina de 3,23 para 2,66% e 4,40 para 3,59%, quando a dose de N mudou de 0 para 350 kg/ha/ano e 50 para 300 kg/ha/ano, nas respectivas investigações. Todavia, VIANA et al. (2011) esclareceram que a adubação nitrogenada máxima de 300 kg/ha/ano, não teve implicação sobre a lignina, que manifestou média de 5,78% da MS no Brachiaria decumbens.
Na FIGURA 1 pode-se observar a elevação da DIVMS (Digestibilidade “in vitro” da matéria seca) com influência das doses de N. Oliveira et al. (2011), presenciaram que as taxas de N na adubação anual responderam por 80% das variações na DIVMS. Rodriguez (2012), validou esse conceito ao indicar que a digestibilidade “in vitro” da FDN somou em média 2,1 pontos percentuais (54,4% x 56,5%), comparando os tratamentos com 50 contra 600 kg/ha/ano de N, nos capins Marandu e Mombaça.
  

Figura 6 - Efeito da adubação nitrogenada sobre a digestibilidade “in vitro” da matéria seca (DIVMS em % da MS).
Fonte: Adaptado de FRANÇA et al., 2007; OLIVEIRA  et al., 2011; RODRIGUEZ, 2012.

Lançanova (1991), sugeriu que o incremento de uma unidade percentual na digestibilidade da dieta resulta no aumento de 100 kg de leite por lactação e para compensar a redução de um ponto percentual da digestibilidade da MS de forragem é necessário cerca de 0,6 kg de concentrado por dia para cada vaca em lactação. Avaliando a curva de DIVMS apresentada (FIGURA 1), a adubação com nitrogênio para quantia de 102 kg/ha/ciclo (nível econômico) resultaria no acréscimo de 2,5% de DIVMS, ou seja, economia de 1,5 kg de concentrado por vaca diariamente ou 457,5 kg de leite a mais no decorrer da lactação (305 dias).
A correlação da PB com a FDN e o efeito deste último na DIVMS e consumo de MS (CMS) foram confirmados por Soares et al. (2004), que examinaram a composição bromatológica e consumo de capim-elefante (Pennisetum purpureum cv. Napier) picado e fornecido no cocho para vacas em lactação. Para estes cientistas quanto maior a FDN, variando de 62,99; 65,50 e 70,12% da MS, o teor de PB reduz, apresentando 11,37; 10,49 e 9,09%, tem-se também redução da DIVMS 58,70; 57,71 e 55,16%, reduzindo consequentemente o CMS 1,90; 1,80 e 1,70% do peso vivo, respectivamente.
O nitrogênio aplicado às plantas eleva a concentração de proteína na MS, em detrimento da FDN. E o acúmulo de produtos nitrogenados, promove diluição da fração de parede celular incrementando a digestibilidade. O crescimento acelerado das pastagens que recebem adubação aumenta também a digestibilidade por adicionar componente de maior degradação ruminal, a hemicelulose. A redução da FDN e maior DIVMS promove o consumo, que por sua vez alavanca o desempenho.

Carboidratos não estruturais
Os carboidratos não estruturais (CNE), representados pela sacarose, glicose, frutose e amido, são mais prontamente digestíveis pela microbiota ruminal. O alto poder fermentativo destes, em relação aos carboidratos estruturais, os garantem como boas fontes energéticas. Carboidratos não estruturais atuam em processos bioquímicos diversos, principalmente como fonte de energia ou cadeias de carbono. São representados pelas frações de carboidratos contidas dentro das células e em maior concentração armazenados em estruturas de reservas. A acumulação de carboidratos solúveis nos tecidos das plantas ocorre quando, a taxa de formação de glicose, durante o processo fotossintético excede a quantidade necessária ao crescimento e respiração (ANTUNES et al., 2011).
As plantas forrageiras, mesmo em plena fase de crescimento, armazenam material de reserva na raiz e base do colmo para garantir sua sobrevivência em caso de estresse (CECATO et al., 2001). Sabe-se que as gramíneas tropicais acumulam pouco CNE em condições de nitrogênio (N) limitante. O acúmulo dos carboidratos solúveis pode ser atribuído ao alongamento da lamina foliar, em decorrência da maior idade do vegetal e de doses de N, proporcionando ampliar a produção de fotoassimilados, que são translocados para os tecidos de reserva. Entretanto, se a altura de pastejo ou do corte for drástica e não favorecer a manutenção de um índice de área foliar mínimo ocorrerá gasto dos carboidratos de reserva em busca de estabelecer um novo estande de folhas, a partir do qual começaram a produzir fotoassimilados deixando-a de ser dreno para atuar como fonte de CNE (RODRIGUES, 1984).
A prática de fornecer fertilizantes para a pastagem conciliada com colheitas não frequente resulta em aumento nos teores de carboidratos de reserva. Vantini et al. (2005), encontram maior efeito, sobre o aumento de CNE, correlacionado com a idade da planta em vista do nível de adubação com N, sendo que as duas variáveis foram positivas em promover a quantidade de CNE, na base do colmo e nas raízes.
Em contraponto, estudos realizados por Rodrigues et al. (2005), mostraram que a aplicação de fertilizantes promove perdas nos teores de CNE do Brachiaria decumbens, e atrelado a este feito apuraram acréscimo na produção de MS. Os autores indicaram que a adubação nitrogenada acarreta redução das reservas porque estimula o crescimento, mobilizando os compostos acumulados nos diversos órgãos.
Os carboidratos de reserva são de grande importância para as plantas forrageiras na sua recuperação após o corte ou pastejo, desta maneira desfolhas constantes reduzem a concentração de CNE. Contudo, deve ser satisfeita a condição para armazenamento dos carboidratos de reserva, que são utilizados pela planta como nutrientes para a sua manuteção e o desenvolvimento de futuros perfilhos e raízes. Então, um bom manejo atrelado à adubação torna-se importante para a recuperação e produção das plantas forrageiras, como também aumento dos CNE que são fontes de energia prontamente digestível para os animais.

Este texto foi extraído de:
RABELO, D. M. L. Efeito da adubação na qualidade da pastagem e no desempenho de bovinos. Monografia (Pós-graduação em Nutrição e Alimentação de Ruminantes) – Faculdades Associadas de Uberaba, FAZU, Uberaba, 15 f. 2016.